Solidariedade

Fernando Santos vs. Jorge Gabriel. Foram 5 contra 5 e no final ganhou a solidariedade

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O Observador esteve presente no "Jogo das Estrelas: Golos por Moçambique", torneio de futebol que juntou celebridades como o humorista Luís Filipe Borges, o ator Nuno Janeiro e Pedro Lamy.

“António, é hoje! É a nossa oportunidade de nos mostrarmos ao mister!”/”Que espetáculo!”

Estas palavras foram trocadas entre dois rapazes, que não deviam ter mais de 13 anos e estavam profusamente transpirados, ao ver passar Fernando Santos, o selecionador nacional. O dia podia estar cinzento e chuvoso mas quando o “mister” chegou ao Clube Xénon, em Lisboa, tudo isso deixou de interessar às dezenas de meninos que, à semelhança destes dois, participavam no torneio de futebol solidário “Jogo das Estrelas: Golos por Moçambique”.

Esta iniciativa, que foi organizada pela associação cristã ligada à Prelatura da Opus Dei e feita em parceria com a Harambee África Internacional (organização de caridade que apoia crianças órfãs de vários países africanos) tinha começado “por volta das nove da manhã”, contou ao Observador Jorge Oliveira, um dos responsáveis pelo evento, mas o ponto alto – ou pelo menos o mais esperado – só se iniciou três horas depois, quando as primeiras “celebridades” começaram a aparecer. Nomes como Jorge Gabriel, Luís Filipe Borges, Nuno Janeiro, Pedro Lamy e o treinador da Seleção Nacional faziam parte da lista de convocados que, num “momento de intervalo” da competição entre os jovens, iriam ser divididas entre duas equipas que se defrontariam em nome da solidariedade.

Muitos acharam que Fernando Santos ia jogar, mas o selecionador disse “já não ter idade para isso”. Ficou onde se sente mais confortável: no comando tático. ©David Martins/Observador

“Achas que o mister vai jogar? Era mesmo fixe…”, perguntou um dos pequenos futebolistas. “Acho que sim! Vai jogar e treinar ao mesmo tempo!”, ripostou o seu colega. Todos – o Observador incluído – acreditaram que tal podia acontecer, que Fernando Santos podia mesmo regressar, ainda que por instantes, aos anos em que fazia a diferença dentro de campo e não na cabine. Mas não, tal não aconteceu. “Não, já não tenho idade para essas coisas! Vou ficar a controlar de fora”, atirou Santos, entre risos, durante uma pequena conferência de imprensa improvisada.

Nesses poucos minutos em que o selecionador respondeu aos jornalistas – menos àqueles que lhe perguntaram pelo Europeu 2020, esses foram ignorados por Santos, que afirmou “não é de todo o momento para falar disso” – fez questão de reafirmar o seu “total apoio” a causas como estas e a reforçar a ideia de que dá grande importância a “ações de solidariedade que ajudam os mais desfavorecidos”. Durante umas frações de segundo, alguns rapazes ficaram desapontados por saber que não iam partilhar as quatro linhas com o obreiro da vitória portuguesa no Europeu de França, mas isso rápida mente foi afogado pela excitação contagiante que se sentia no ar. “Vamos escolher as equipas, então?”, perguntou Jorge Oliveira. “Siga”, foi a resposta.

“Temos aqui esta pasta com vários papeis onde estão escritos os nomes dos jogadores. O Fernando e o Jorge vão tirando à vez e fazemos as equipas assim.”, sugeriu o mesmo Oliveira. Santos e o apresentador Jorge Gabriel, o outro “treinador” que iria participar no evento solidário, assentiram. Duas “estrelas”, duas crianças e um jornalista: Foi esta a constituição base de cada equipa. “Vamos começar?”, perguntou o árbitro, também ele um jovem. “Vamos a isso”, responderam todos em uníssono.

Jorge Gabriel e Fernando Santos foram os dois treinadores convidados. ©David Martins/Observador

Passes curtos, futebol bem disposto e muitos golos (terminou 7 a 8 para a equipa de Jorge Gabriel) foi aquilo que se pode ver durante os cerca de 45 minutos de jogo em que os olhos de todas as crianças presentes ficaram fixados no selecionador nacional,  mesmo tendo em conta que Santos manteve-se fiel ao estilo que costuma apresentar nos jogos “a sério”: silencioso, quieto e introspetivo, quase. Só saltava quando algum dos jogadores, fossem ou não da sua equipa, patinava no piso escorregadio – “Isto não é para se magoarem! Cuidado, hã!”, chegou a gritar –, ao contrário de Jorge Gabriel, que passou o tempo todo a dar indicações bem humoradas ao seus atletas (“Para trás também se joga!”). No final, todos estavam quase como os dois miúdos do episódio que abre este texto: “Com esperança de serem escolhidos para um jogo da Seleção Nacional?”, pode questionar o leitor. Não. Extremamente entusiasmados e… inundados de transpiração.

Por muito que Santos se tenha despedido do comediante Luís Filipe Borges, o guarda-redes da sua equipa, a dizer “Foste o melhor em campo pá! Grande jogo!”, e que oficialmente quem ganhou a partida foi a equipa de Jorge Gabriel, a solidariedade saiu como a verdadeira vencedora numa manhã diferente de sábado.

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