O novo Toyota Supra não deverá chegar a Portugal antes do Verão, mas o lançamento do desportivo japonês no salão americano de Detroit foi acolhido com particular interesse. Não que não tivéssemos já uma ideia das suas formas, depois de meses de teasers, além da revelação da versão de competição – similar ao carro de série, excepção feita para os alargamentos e “asas” –, mas sim porque era importante perceber como seria o primeiro desportivo da Toyota produzido a meias com uma marca europeia, a BMW e em que a maioria do carro japonês é… alemã.

As apregoadas cinco gerações da família Supra, onde as primeiras duas gerações eram Celica Supra

É um facto que o Supra não é o primeiro desportivo da Toyota (que é só a marca individual que mais automóveis vende no mundo) fabricado em colaboração com outros construtores, vindo à memória desde logo o GT86, concebido conjuntamente com a Subaru. Mas a realidade é que a Toyota detém 16,5% da Fuji Heavy Industries, a casa-mãe da Subaru, pelo que o GT86, com motor atmosférico 2.0 boxer (tipicamente Subaru) foi sobretudo um negócio em família. Mas desta vez o gigante japonês ia-se juntar ao ‘inimigo’, pois a BMW, substancialmente mais pequena, é um dos maiores rivais da divisão de luxo da Toyota, a Lexus.

Como nasceu o Supra?

Segundo os responsáveis da Toyota em Portugal, o novo Supra não resulta de uma parceria entre a Toyota e a BMW, mas sim entre esta e a Gazoo Racing (GR), o departamento de competição da marca nipónica que faz correr os Yaris no WRC e os protótipos no mundial de resistência, além de desenvolver as versões desportivas dos carros de série. E daí a denominação GR Supra utilizada em alguns mercados.

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Não foi especificado o envolvimento da GR no desenvolvimento da dupla de desportivos Toyota Supra/BMW Z4, mas como este herda uma série de pormenores característicos dos alemães, dos motores (duas versões do 2.0 turbo e uma do 3.0 turbo de seis cilindros, todos eles a gasolina) às caixas de velocidades, passando por pormenores do chassi, deveremos estar perante um acordo similar ao que a Mercedes fez com a Renault para, do Twingo, poder conceber a actual geração do Smart.

E tal como é habitual no Z4, a nova geração do desportivo alemão e o seu “irmão” japonês serão fabricados nas instalações da Magna, na Áustria, um pequeno construtor independente especializado em produzir veículos em pequenas séries, sendo ali que nasce igualmente o Jaguar I-Pace. Contudo, os homens da GR tiveram o seu papel nas definições do Supra, decidindo construí-lo enquanto coupé de carroçaria fechada, o que lhes permite alegar maior rigidez de chassi, ideal para um comportamento eficaz, além de o dotar com uma estética agressiva e mais japonesa, procurando separar ao máximo os dois veículos.

Que versões vão ser fabricadas?

O Supra vai surgir inicialmente com o motor 3.0, com seis cilindros e 340 cv, soprado por um turbocompressor que lhe eleva a força para 500 Nm, atingidos logo às 1.500 rpm, o que garante uma resposta pronta ao acelerador. Curiosamente, a mesma unidade de origem alemã que está ao serviço do Z4 M40i, e obviamente também ele com 340 cv e 500 Nm. Será esta motorização que animará à série especial A90 do GR Supra, de que irão ser fabricadas apenas 90 unidades, disponíveis para os primeiros clientes que coloquem as suas encomendas. Segundo o importador para o nosso país, “na melhor das hipóteses, poderá vir uma destas unidades para Portugal mas, lamentavelmente, é pouco provável que tal venha a acontecer face à enorme procura nos principais mercados”.

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Se for fã do GR Supra e não conseguir uma destas primeiras 90 unidades, então pode concentrar-se no segundo lote de produção a entregar ainda até final de 2019, este já com 900 unidades. Sempre com motor 3.0 de 340 cv, esta versão do desportivo japonês será igualmente capaz de atingir 250 km/h – só não superando esta barreira porque a isso está limitada electronicamente –, indo de 0 a 100 km/h em 4,3 segundos. Para a Toyota em Portugal, que pensa divulgar o preço deste GR Supra em breve, “os clientes terão depois de colocar as suas encomendas online, de modo a garantir que serão dos primeiros a recebê-lo em Junho”.

O Toyota GR Supra estará igualmente disponível na maioria dos mercados com duas versões equipadas com motor de quatro cilindros sobrealimentado, ambas com dois litros de capacidade, mas diferentes níveis de potência. O mais acessível debitará 197 cv, sendo capaz de atingir 100 km/h em 6,5 segundos, enquanto o mais possante extrairá 258 cv da mesma unidade, alcançando a mesma fasquia em 5,2 segundos. Em relação a estas versões mais acessíveis, a marca nipónica desconhece ainda se ou quando estarão disponíveis no nosso mercado, apesar de já possuírem preço nos principais países europeus.

Será este Supra melhor do que o antigo?

É quase uma obrigação. Supra é, para a marca, o modelo mais desportivo da gama e a Toyota reclama que este GR Supra é a 5ª geração. Contudo, há aqui algum excesso de optimismo, pois nas primeiras duas, as introduzidas em 1978 e 1981, a denominação do modelo era na realidade Celica Supra, ou seja, um Celica mais “assanhado”. O primeiro Supra é o A70, que surgiu em 1986, mas o mais emblemático é o seu sucessor, o A80, produzido entre 1993 e 2002, sendo exactamente dele que todos se recordam quando pensam num Supra.

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Foi equipado, ao longo dos 10 anos de produção, sempre com motor 3.0 de seis cilindros em linha biturbo (para a Europa, pois outros mercados tinham apenas acesso à versão atmosférica), que chegou a debitar 330 cv, o que lhe permitia superar os 100 km/h em cerca de 4,6 segundos e atingir uma velocidade máxima de 286 km/h. O Supra de 1993 era maior (4,515 metros de comprimento contra 4,38 m do actual) e mais leve (1.410 kg contra 1.595 kg), perdendo ligeiramente de 0-100 km/h, mas ganhando em velocidade máxima ao não estar limitado electronicamente.

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Contudo, o novo GR Supra promete ser mais eficaz e ainda mais divertido de conduzir do que o seu antecessor, tanto mais que recorre a um diferencial autobloclante capaz de variar de 0 a 100%, tanto em aceleração como em desaceleração. Se esta situação, em condições normais, seria expectável, levantará alguns problemas à marca japonesa. Especialmente quando os clientes louvarem um chassi que é de base BMW, ou um motor que é 100% alemão, sendo uma opção curiosa para um construtor que, com todo mérito, se assume como um dos melhores do mundo e que agora recorre a um rival para produzir o seu modelo mais emblemático. A pergunta é fácil, mas a resposta não o será. Deixemos isso para os génios do marketing japoneses.