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“No Armário do Vaticano”. Jornalista francês diz em livro que 80% dos padres do Vaticano são homossexuais

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Autor fala em hipocrisia e diz que o lobby gay está por detrás do encobrimento de abusos sexuais. Críticos acusam-no de confundir factos e rumores e, mais que isso, homossexualidade e pedofilia.

AFP/Getty Images

Um livro a ser publicado na próxima semana promete revelar que 80% dos padres e bispos que trabalham no Vaticano são homossexuais e partilham um “código” secreto para ocultar a pertença a uma espécie de comunidade que, ao mesmo tempo que condena a homossexualidade, a pratica dentro da cúpula da própria Igreja Católica, escreve o portal católico The Tablet.

Segundo o The Tablet, o autor garante que o livro, intitulado “No Armário do Vaticano”, resulta de cerca de 1.500 entrevistas com várias figuras do Vaticano, incluindo 41 cardeais, 52 bispos ou monsenhores, 45 diplomatas, 11 guardas suíços e mais de 200 padres e seminaristas. Uma fonte com conhecimento do conteúdo do livro revelou, porém, àquele portal que “nem sempre é fácil perceber quando Martel está a falar de factos, rumores, relatos de testemunhas oculares ou em ‘diz que disse'”.

O livro é lançado no dia 21 de fevereiro em várias línguas — precisamente o dia em que arranca no Vaticano uma cimeira convocada pelo Papa Francisco, com todos os presidentes das conferências episcopais do mundo, para debater a forma como a Igreja lida com os abusos sexuais praticados pelo clero.

Apesar de a data de publicação ter sido escolhida a dedo para coincidir com o encontro inédito no Vaticano, em que a Igreja estará a discutir o abuso de menores, o livro não aborda este problema. Ainda assim, de acordo com fontes citadas pelo mesmo portal, Frederic Martel apresenta a tese de que a cultura de segredo em torno da sexualidade contribuiu para a ocultação de muitos casos de abuso sexual.

A coincidência da publicação do livro com o arranque da cimeira sobre os abusos sexuais é, aliás, uma das principais críticas feitas pelos que se opõem ao trabalho do jornalista francês, que argumentam que essa coincidência promove a confusão entre a homossexualidade e o abuso sexual de menores — um argumento, aliás, amplamente difundido por setores mais tradicionalistas da Igreja Católica, que defendem que a homossexualidade no clero é um dos motivos que levam à prática de tais crimes.

Frederic Martel, jornalista e sociólogo francês assumidamente homossexual, é conhecido por diversas publicações sobre temas LGBT, como Global Gay (2016) ou The pink and the black (1996). Esta é, porém, a primeira vez que escreve sobre a Igreja Católica.

Ainda de acordo com o The Tablet, o francês recolheu material para o livro durante quatro anos, deslocando-se uma semana por mês ao Vaticano. De várias vezes, permaneceu em residências da Santa Sé e contactou com diversas pessoas da Cúria Romana, para chegar à conclusão de que quatro em cada cinco padres que trabalham na cúpula da Igreja Católica são homossexuais.

Segundo contou àquele portal quem já leu o livro, que tem sido mantido em segredo pelo consórcio de editoras responsáveis pela sua publicação —, Frederic Martel mostra que há muitos padres na Cúria Romana que aceitam a sua homossexualidade e até têm relações amorosas estáveis. Há também, segundo o livro, vários clérigos de topo da Igreja Católica que vivem “vidas duplas”, tendo encontros casuais frequentes com outros homens, incluindo recorrendo à prostituição.

Frederic Martel defende mesmo que os conflitos que ocorrem no interior da Igreja devem ser lidos à luz da existência de homossexuais “no armário” nas estruturas do Vaticano.

O jornalista francês deixa ainda duras críticas a figuras de topo da Igreja, argumentando que quanto mais atacam a homossexualidade, maior a probabilidade de serem homossexuais, e acusa mesmo o cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, antigo presidente do Conselho Pontifício para a Família, de ter recorrido a prostitutos enquanto se mostrava, em público, como um dos mais fervorosos defensores da doutrina católica sobre os métodos contracetivos e a homossexualidade.

O livro será publicado em Portugal, Espanha, Roménia, Japão, Coreia do Sul e Alemanha. Em Portugal, a edição está a cargo da Porto Editora, cujo diretor editorial, Manuel Valente, afirmou no mês passado que iria publicar um “documento explosivo” sobre o Vaticano, sem revelar o que estava em causa.

Manuel Valente assegurou que o livro “vai dar muito que falar” porque contém referências a “pessoas portuguesas”.

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