“Certa manhã, em abril [de 2011], percebi que tinha várias chamadas perdidas da Sala de Crise”. Foi assim que Ben Rhodes, conselheiro de Barack Obama para a área da segurança, começou o relato na primeira pessoa, ao El País, sobre os pormenores da reunião que antecedeu a tomada de decisão do presidente dos Estados Unidos da América quanto à operação de captura de Osama Bin Laden, que culminou com a morte do inimigo número 1 dos norte-americanos.

Na quinta-feira, três dias antes do início da operação que antecedeu o ataque das tropas norte-americanas, Obama presidiu a uma reunião que viria a ser a última antes da tomada de decisão que terminou com a morte do líder da Al Qaeda no complexo de Abbottabad, no Paquistão.

Ben Rhodes revela que “o momento exato da ação foi determinado por uma preocupação quase cinematográfica que parecia improvável: a ausência da lua sobre Abbottabad. Naquele fim de semana era a melhor oportunidade para lançar a operação”.

A tomada de decisão, que envolveu a participação de uma equipa especializada em descobrir falhas que pudessem pôr em causa a captura de Bin Laden, foi desbloqueada pelo próprio Barack Obama, que satisfeito com as probabilidades de sucesso começou a preparar os diversos cenários.

O conselheiro de Barack Obama garante que o presidente dos Estados Unidos mostrou “ter passado muitas horas a refletir sobre o assunto” e que “mostrava conhecimento sobre detalhes como a altura das pessoas que moravam no complexo, as famílias que viviam junto de Bin Laden”, entre outros.

Quando a discussão passou para o plano militar, Bill McRaven, que comandava o grupo de operações especiais no Afeganistão, garantiu que o grupo “conseguia entrar e sair” do complexo onde se encontrava Bin Laden, mas Robert Gates, líder do Departamento de Defesa, colocou entraves, recordando o episódio de Jimmy Carter, na operação “Eagle Claw”, que vitimou oito soldados norte-americanos numa operação de extração de 52 membros da embaixada dos Estados Unidos no Irão.

Quem também mostrou reservas quanto à operação foi o vice-presidente, Joe Biden. “Acham que o presidente devia fazer isto?”, perguntou Biden a um pequeno grupo de assessores e conselheiros após a reunião que antecedeu a tomada de decisão. Segundo Ben Rhodes, Joe Biden podia não ser contra a tomada da decisão mas procurava muita das vezes alargar o leque de opções de Obama.

Ainda assim, entre os altos responsáveis, eram mais os nomes a favor de uma operação militar. Para além do chefe do grupo de operações especiais, Bill McRaven, também John Brennan, consultor para a área do contraterrorismo e o diretor da CIA, Leon Panetta, mostraram-se favoráveis a um avanço militar sobre o complexo paquistanês.

Barack Obama terminou a reunião sem mostrar qual a opção que tinha como preferida, prometendo uma tomada de decisão durante a noite, de um entre quatro cenários: Bin Laden estava dentro do complexo e seria capturado; Bin Laden estava dentro do complexo e haveria problemas com as forças norte-americanas; Bin Laden não está no complexo e as forças americanas iriam entrar e sair sem problemas e Bin Laden não estava em Abbottabad e haveria baixas nas forças especiais americanas. O desfecho, bem sucedido, é hoje conhecido de todos. 

Na noite em que Obama optou por dar o sim a um avanço militar, Ben Rhodes sentou-se na Casa Branca para escrever as notas para o presidente norte-americano se dirigir à imprensa, onde recordou as declarações de George W. Bush e Barack Obama sobre a captura do principal inimigo dos Estados Unidos e confessou estar a reviver os acontecimentos que o levaram a trabalhar para a campanha de Obama e recordar qual deveria ter sido sempre o primeiro objetivo pós-11 de Setembro: a captura de Bin Laden.