O ritmo das mortes resultantes de ataques norte-americanos na Somália triplicou em relação a 2018. De acordo com os dados avançados pelo The New York Times, os 24 ataques oficiais realizados desde janeiro de 2019 resultaram em pelo menos 225 mortes. Durante todo o ano de 2018, os Estados Unidos bombardearam o país por 47 vezes, deixando 326 vítimas mortais.

O ritmo é mais de três vezes superior, podendo chegar às 1100 mortes, caso se mantenha. O crescimento está ligado ao aumento no número de mortes por ataque aéreo (de 7 pessoas por ataque em 2018 para cerca de 9, em 2019). Em fevereiro, três ataques realizados ao longo de uma semana terão matado 35, 20 e 26 pessoas cada.

O Departamento de Defesa dos EUA garante que todos os mortos são terroristas do al-Shabab, um grupo de rebeldes de influência islâmica estabelecido em 2006. O al-Shabab, ativo na Somália, Iémene, Moçambique, Quénia e Tanzânia, tem 8 mil militares ativos, de acordo com a BBC. O grupo afirma regularmente que morrem civis nos ataques norte-americanos.

O conflito entre os EUA e o al-Shabab terá gerado 320 mil refugiados, segundo os dados das Nações Unidas, e obrigado 704 mil pessoas a deixar as suas casas. Desde 2007 que os Estados Unidos da América mantêm uma presença militar na região como parte da Guerra Global ao Terrorismo, lançada por George W. Bush em 2001.

O al-Shabab é responsável por uma série de atentados no país. O maior ataque do grupo terá matado entre 500 e mil pessoas com um carro bomba colocado na capital da Somália, Mogadíscio, em 2017. Com presença nos grandes centros urbanos, o grupo terrorista controla zonas rurais por todo o país, apesar de não ter uma base formal desde 2014, quando foram afastados de Barawe.