Jean-Claude Juncker

Jean-Claude Juncker chama “estúpidos” a nacionalistas nas vésperas das europeias

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Para o presidente da Comissão Europeia, os partidos nacionalistas que estão a ascender na Europa representam uma ameaça. Em entrevista, fala sobre o Brexit e na sua relação com Trump e Farange.

Para Juncker, o principal objetivo da União Europeia é o de garantir solidariedade

AFP/Getty Images

Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, disse esta quarta-feira que os nacionalistas são “estúpidos”, na véspera das eleições europeias onde se prevê um aumento do número de partidos conservadores e deputados eurocéticos no parlamento europeu.

Em entrevista à CNN, realizada no seu gabinete em Bruxelas, Juncker disse que os políticos nacionalistas representam uma ameaça para a solidariedade da União Europeia.

Estes populares, estes nacionalistas estúpidos, estão apaixonados pelo seu próprio país. Eles não gostam dos estrangeiros. Eu gosto dos estrangeiros. Temos de agir com solidariedade para com aqueles que estão em situações piores que nós”, destacou Juncker.

O presidente da Comissão Europeia, cargo que dirige desde 2014, diz que é sempre mais fácil mobilizar forças negativas do que positivas.

Juncker diz que o que está a acontecer com o Brexit no Reino Unido tem contribuído para aumentar a importância concedida à Europa. “Desde o Brexit, o número de pessoas a favor da União Europeia está a aumentar. As pessoas estão a ver o que está a acontecer e que sair da União Europeia não é tão fácil como lhes foi dito”, explica.

O ex-primeiro-ministro do Luxemburgo mostra-se ainda triste pela decisão do Reino Unido de sair da União Europeia e diz que o Brexit está a prejudicar “a atmosfera geral na Europa e no mundo todo”. Juncker diz que a melhor solução para pôr fim ao processo é o Reino Unido aceitar o acordo que Theresa May estabeleceu com a União Europeia.  “Gostaria de dizer ‘sim’ a um segundo referendo, mas o resultado pode não ser diferente. Somos espetadores num estádio inglês. Cabe a eles decidir”, continuou.

Juncker assume mesmo que está “frustrado” e “farto” das questões em torno da saída do Reino Unido da UE.

O que eu não gosto no debate no Reino Unido é que parece mais importante substituir a primeira-ministra do que encontrar um consenso.”

Ainda assim, o presidente elogia May. “Trata-se de uma mulher que sabe o que fazer mas que não tem sucesso no que faz. Eu gosto muito dela, é uma mulher muito forte”, acrescentou.

O presidente da Comissão Europeia diz ainda que tem “uma boa relação” com Nigel Farange, membro do Parlamento Europeu e do Partido do Brexit. “Há muitas pessoas que me odeiam, mas eu não odeio ninguém. Se odiamos alguém, não podemos trabalhar com essa pessoa”, declarou Juncker.

Para além de Farange, Juncker disse também na entrevista que tem uma boa relação com Donald Trump. “Ele diz que sou amigo dele, por isso tenho de dizer que sou amigo dele. E ele disse publicamente que me adora. Quem mais faria uma declaração dessas senão o Donald?”, comentou.

A CNN perguntou ao presidente da Comissão Europeia, que em breve vai sair do cargo, o que de melhor tem a União Europeia. “Uma palavra: paz”, respondeu.

Oiça as melhores histórias destas eleições europeias no podcast do Observador Eurovisões, publicado de segunda a sexta-feira até ao dia do voto.

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