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Operação Marquês

Teixeira dos Santos admite que Sócrates teve reticências quanto à escolha de Vara para a CGD

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Antigo ministro das Finanças foi ouvido esta quinta-feira como segunda testemunha arrolada pela defesa de José Sócrates no caso da Operação Marquês, num interrogatório que durou mais de quatro horas.

Tiago Petinga/LUSA

Teixeira dos Santos, antigo ministro das Finanças, voltou a admitir esta quinta-feira, durante o seu depoimento na fase de instrução da Operação Marquês, que foi totalmente responsável pela escolha de Armando Vara para a administração da Caixa Geral de Depósitos. Mas desta vez corrigiu a informação que deu há dois anos durante a fase de inquérito: afinal, José Sócrates colocou reticências na escolha de Vara por receio de eventuais “repercussões políticas”, avança a TSF e a SIC.

Segundo o Diário de Notícias, Teixeira dos Santos disse ter justificado esta escolha como uma opção sua que tinha como objetivo o equilíbrio entre administradores que “eram da casa” e outros “fora da Caixa”. O ex-ministro das Finanças mudou a administração do banco do Estado assim que assumiu funções depois da demissão de Campos e Cunha. O primeiro ministro das Finanças de Sócrates atribuiu o seu afastamento do cargo à resistência em mudar a gestão da Caixa e em promover Armando Vara ao topo do banco público.

Esta versão foi contrariada por Teixeira dos Santos que, quando testemunhou na primeira comissão de inquérito à recapitalização da Caixa assumiu a total responsabilidade pela escolha e nomeação de Vara. E foi isso que reafirmou esta quinta-feira ao juiz Ivo Rosa como segunda testemunha arrolada pela defesa de José Sócrates no caso da Operação Marquês, num interrogatório que durou mais de quatro horas.

Sócrates está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada. Entre outras imputações, o Ministério Público acredita que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e na PT, bem como para garantir a concessão de financiamento da CGD ao empreendimento de luxo Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Entre os 28 arguidos estão ainda Carlos Santos Silva, Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Armando Vara, Bárbara Vara, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turístico de Luxo.

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