O presidente do PSD, Rui Rio, voltou esta terça-feira à noite a defender a redução de deputados através da representação dos votos brancos e nulos na Assembleia da República, salientando tratar-se de uma opinião pessoal.

Numa conferência de imprensa após a reunião do Conselho de Opinião da comissão para a reforma do sistema eleitoral e político do PSD, Rui Rio considerou este tema “altamente prioritário” e assegurou que o partido terá no seu programa eleitoral propostas para “aproximar os eleitores dos eleitos”.

Questionado se os sociais-democratas poderão voltar a defender a redução do número de deputados, Rio preferiu dar apenas a sua posição pessoal, reiterando a ideia de que os votos brancos e nulos deveriam ter expressão no Parlamento.

Na minha opinião sim, na minha opinião estaria a redução de deputados pelo lado da contagem de votos brancos e nulos. Ou seja, a Assembleia da República teria uma composição variável: tinha um máximo e mínimo. Se elege mais ou menos deputados, teria a ver com o número de votos brancos e nulos”, afirmou, ressalvando que a abstenção não contaria nesta sua proposta e que o limite mínimo andaria à volta dos 180 deputados.

“Se o partido a leva para a mesa de negociações, iremos ver. Se os outros aceitam mais à frente também”, ressalvou. Questionado se tal ideia não poderia provocar a implosão do sistema político, Rio respondeu com outra pergunta: “O sistema já não está hoje a vir abaixo?”.

“Temos consciência que não o fazemos sozinhos, precisamos dos outros partidos, particularmente do PS”, afirmou Rio.

O líder do PSD apontou que o partido irá propor alterações aos círculos eleitorais, considerando que o atual modelo, baseado em distritos, era o correto em 1976, mas hoje “está ultrapassado”.

“Temos que lutar para que haja uma maior aproximação dos deputados eleitos aos eleitores e temos de encontrar soluções que podem passar pela criação de círculos uninominais ou não, mas também podem ser círculos mais pequenos”, afirmou.

Para Rui Rio, ‘partir’ os grandes círculos para que cada um não eleja, por exemplo, mais do que dez deputados poderá ser uma das soluções a propor pelos sociais-democratas.

O Conselho de Opinião, um órgão consultivo formado por juristas, académicos e personalidades do partido, deverá apresentar as suas conclusões até ao final do mês, como contributo para a proposta que irá constar do programa do PSD.

Questionado quando será divulgado o programa eleitoral do PSD, Rui Rio não quis comprometer-se com uma data, dizendo apenas que o documento “estará pronto” até ao final de julho, altura em que o Conselho Nacional aprovará as suas linhas gerais.