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Marques Mendes critica guerra entre accionistas na TAP: “O Estado foi desautorizado”

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O comentador da SIC critica o papel do Estado na atribuição de prémios na companhia aérea e fala na desautorização do Governo. "Tudo isto é um desastre". Marques Mendes respondeu ainda a Carlos César.

CARLOS BARROSO/LUSA

Os prémios atribuídos pela TAP a alguns trabalhadores em ano de prejuízos históricos apanhou o país de surpresa. O país e o Governo. Isto apesar de o Estado ser detetor de 50% do capital da companhia aérea. Uma situação que Luís Marques Mendes resumiu numa palavra: “desastre“.

No seu habitual espaço de comentário no Jornal da Noite da SIC, o ex-líder do PSD afirmou este domingo que “este desastre” é identificado a vários níveis. “O desastre maior é o da Comissão Executiva da TAP, que se comportou como se fosse um pirómano. Lançou fogo à empresa”, disse, justificando que ao distribuir prémios apenas por alguns trabalhadores a Comissão Executiva da TAP gerou divisões perigosas entre acionistas, administradores e trabalhadores. “Acabou a paz social na TAP“, proclamou.

Mas há mais responsáveis pelo “desastre”. Desde logo, considera o comentador, o Estado. “Em 2015, o Governo mudou o modelo de privatização da TAP e ficou com 50% do capital da empresa. Criou, assim, a expetativa de que ia mandar e fiscalizar a gestão da companhia. Afinal, o Estado diz que manda mas não manda, diz que fiscaliza mas não fiscaliza. Está de pés e mãos atados“. E foi mais longe, alegando que no final de contas “o Estado foi desautorizado”.

A situação coloca debaixo dos holofotes o Ministério das Infraestruturas e da Habitação, que tutela a pasta. Marques Mendes começa por dizer que Pedro Nuno Santos “é o único que não é culpado” porque chegou há poucos meses ao cargo. No entanto, a declaração “bombástica” que fez na quinta-feira, quando afirmou que o Governo perdeu a confiança na Comissão Executiva da TAP, coloca o ministro numa posição mais delicada. “Agora tem de haver consequências, não pode ficar pelas palavras”.

Segundo a análise do comentador, Pedro Nuno Santos tem de decidir entre duas hipóteses: ou obriga à demissão da Comissão Executiva, “o que é difícil”, ou negoceia novamente os acordos entre os três acionistas, colocando “um Administrador do Estado na Comissão Executiva, que é a opção mais provável”, explica. Este “é um teste brutal à autoridade” do governante, que se não conseguir seguir optar por uma destas vias “sai completamente desautorizado”.

Resposta a César e críticas a Constâncio

No seu último comentário, Marques Mendes atirou-se a Carlos César à boleia de uma notícia que punha em cima da mesa a hipótese de na próxima legislatura o presidente do PS vir a substituir Ferro Rodrigues como Presidente da Assembleia da República. “É um erro político”, considerou. O comentário motivou uma rápida resposta do próprio socialistas, que no Facebook, menos de 24 horas depois, chamou ao comentador “comerciante político”. A discussão teve seguimento no comentário deste domingo.

Marques Mendes começou a responder recorrendo à ironia. “É sempre positivo que um dirigente político responda a um comentador porque valoriza o espaço de comentário”, disse. E prosseguiu: “César responde à minha crítica política com ataques pessoais, o que só prova que não tem nem nível, nem categoria, nem estatuto para ser a segunda figura do Estado”. Aos olhos do comentador, o ataque do dirigente socialista revela ainda a “muita vontade” que Carlos César tem de ser Presidente da AR. Algo que, no fundo, o comentador acha que não venha a acontecer. “Tenho uma secreta esperança de que isso não vá acontecer“.

Já sobre a audição de Vítor Constâncio na Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos, outro dos temas da semana, Marques Mendes tão pouco poupou nas palavras. O ex-líder do PSD considera que o ex-governador nunca passou de um “verbo de encher” à frente do Banco de Portugal. “No fundo, foi uma peça na estratégia de José Sócrates e de Ricardo Salgado. O primeiro queria tomar o poder no BCP o segundo queria atacar um concorrente direto” e o ex-governador foi apenas um “vazio” útil para que esta tática funcionasse.

Uma polémica que teria sido esvaziada, entende o comentador, se Vítor Constâncio não tivesse omitido na sua audição no Parlamento que autorizou Joe Berardo a levantar 350 milhões da CGD, como noticiou o Público esta semana. “Foi ele que se colocou a jeito“, afirmou o comentador.

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