Rádio Observador

Vítor Constâncio

Vítor Constâncio diz que vai processar o jornal Público

7.190

"O que se passou esta semana foi demasiado grave, e a minha complacência acabou. Processarei o jornal que iniciou e insistiu nas calúnias", diz Constâncio em artigo publicado no Expresso.

OLIVIER HOSLET/EPA

Vítor Constâncio garante que vai processar o jornal Público, a publicação que envolveu o ex-governador do Banco de Portugal nos créditos da Caixa Geral de Depósitos a Joe Berardo, para comprar ações do BCP. A revelação é feita num artigo de opinião publicado no Expresso deste sábado.

“Durante os oito anos em que estive no Banco Central Europeu, liguei pouco ao que se disse ou não disse em Portugal sobre mim. Talvez tenha sido complacente com algumas calúnias que, ao longo desse tempo, foram sendo propaladas. Mas o que se passou esta semana foi demasiado grave, e a minha complacência acabou. Processarei o jornal que iniciou e insistiu nas calúnias”, escreve Vítor Constâncio, que também já admitiu processar o ex-administrador do BCP Filipe Pinhal pelas declarações feitas na sua audição na comissão de inquérito à gestão da Caixa.

Vítor Constâncio escreve que “ao contrário do que dizem, estou habituado a não ser complacente”. “Durante o meu mandato no Banco de Portugal abriram-se dezenas de processos contra gestores e administradores de bancos tendo muitos terminado com a sua condenação (sete só no BCP) e vários foram posteriormente condenados em tribunais criminais”, recorda.

O ex-vice-presidente do Banco Central Europeu diz que vive “muito focado no trabalho académico centrado em conferências e aulas sobre assuntos económicos, monetários e europeus. Como toda a gente, também vivo esquecido de muitas coisas que se passaram há 12 ou há 17 anos. Mas não me esqueci, por exemplo, dos processos de contraordenação que abrimos a cinco presidentes ou ex-presidentes de bancos, nem do processo de contraordenação que abrimos a um ex-governador do Banco de Portugal.

Para Vítor Constâncio, as notícias publicadas contra ele servem para desviar as atenções de “pessoas que cometeram crimes e abusaram de um sistema que, sobretudo até 2008, concedeu à supervisão bancária poderes legais limitados e assentou numa excessiva confiança na gestão privada dos bancos e na pretensa autorregulação dos mercados financeiros”.

“Àqueles que, dado esse quadro, dizem que alguma vez eu ou o BdP devíamos ter ido “além da lei”, digo-lhes que não é assim que deve funcionar um Estado de direito; àqueles que dizem que a lei deve ser alterada e que os poderes da supervisão devem ser mais reforçados do que já foram desde 2008 em toda a Zona Euro, digo que estou com eles. É, em parte, sobre isso que tenho continuado a trabalhar desde que terminei o meu mandato no BCE, e lamento muito que, em Portugal, o debate sobre este tema assente há tanto tempo numa tão profunda incompreensão do sistema que existe e do quadro legal que o rege, bem como na tentativa de identificar bodes expiatórios”, afirma Vítor Constâncio.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: ecaetano@observador.pt
Economia

Liderança: um diálogo pai-filho /premium

José Crespo de Carvalho

Podes ter a melhor das intenções, as características pessoais que achas apropriadas ou mais valorizas, a visão e a estratégia para o exercício da liderança. Mas a cultura, se não ajudar, estás morto.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)