As touradas voltaram a estar no centro das polémicas nacionais depois do incidente em Coruche no sábado. Um touro colheu dois forcados e dois cavaleiros , um cavalo teve de ser abatido devido a ferimentos, e a eventual proibição dos espetáculos tauromáquicos em Portugal voltou a estar em cima da mesa. Para António Costa, é a “identidade dos concelhos” que está em jogo. “E isso deve ser ressalvado”, afirma em entrevista à Visão.

O primeiro-ministro admite que o debate sobre a proibição das touradas em alguns concelhos do país “seria intenso” e poderia motivar até um “referendo local”. Destaca ainda o caso de “outros concelhos em que a tourada faz parte da sua identidade, e isso deve ser ressalvado”.

O primeiro-ministro não esconde que tem uma boa relação com o partido liderado por André Silva. “Ao longo desta legislatura, já tivemos um bom diálogo com o PAN”, explica Costa à Visão. Mas e se o fim das touradas depender unicamente deste partido, o mesmo que tão recentemente ganhou lugar no Parlamento Europeu?

“Com exceção do primeiro, em que se absteve, o deputado do PAN votou favoravelmente todos os orçamentos do Estado”, lembra o primeiro-ministro. “E fê-lo” — acrescenta –, “com base em negociações que fomos mantendo, relativamente a propostas que o PAN apresentou”.

Quanto à proposta que dava liberdade aos municípios para decidir acerca da realização ou não das touradas nos respetivos concelhos, Costa lembra que tanto PAN como PS foram “derrotados na Assembleia da República” aquando a votação.