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Ambiente

População contesta instalação de refinaria de bagaço de azeitona em Trancoso

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Moradores alertam para "a destruição e perda de biodiversidade, na contaminação dos recursos hídricos e da qualidade do ar". Vítor Pereira, um dos contestários, denuncia a existência de "movimentos".

ANTONIO JOSE/LUSA

População e autarcas contestam a construção de uma refinaria de bagaço de azeitona nas proximidades da aldeia de Cogula, no concelho de Trancoso, mas a Câmara Municipal garante que ainda não existe qualquer pedido de licenciamento.

Segundo Vítor Pereira, um dos contestatários, a unidade está projetada para a freguesia de Valdujo, junto ao cruzamento com o ramal que dá acesso à aldeia de Cogula, uma área de terreno que “é limitado apenas a uso florestal”.

“Se a instalação de [uma] refinação de bagaço de azeitona, ou outra, se concretizar, será uma tremenda agressão ambiental e social, não só para a freguesia da Cogula, como para as freguesias contíguas, envenenando o ar que se respira, com a aldeia da Cogula, a mais próxima, e outros lugares em outras freguesias a ficarem ainda mais despovoados, com a qualidade de vida a regredir, os idosos e mais débeis a sofrer com o que não merecem, com mais doenças e que mais depressa nos vão deixar”, denuncia Vítor Pereira à agência Lusa.

A concretizar-se a construção da unidade fabril vaticina que “as pessoas que têm amor à aldeia e querem lá continuar a sua vida e criar ali os seus filhos ficarão numa situação insuportável”.

No país, “há casos conhecidos” de refinarias de bagaço de azeitona e “de graves problemas de saúde e ambientais”, alerta.

O responsável dirigiu uma carta ao presidente da Câmara de Trancoso, Amílcar Salvador, a apelar que “inicie os procedimentos necessários” à clarificação do caso e “que se confirme, inequivocamente, perante as populações, de que não é possível, nem admissível, a instalação da refinação de bagaço de azeitona, pelas implicações socioambientais a que será exposta a população e o ambiente, nas fortes consequências na saúde da população, dos próprios trabalhadores, na destruição e perda de biodiversidade, na contaminação dos recursos hídricos e da qualidade do ar”.

No local, “são já visíveis, claramente, os grandes movimentos de terras efetuados, com a existência de um enorme talude” que “parece indiciar a escavação para eventuais lagoas”, segundo Vítor Pereira.

O presidente do município de Trancoso assegurou à Lusa que nos serviços da autarquia, até ao momento, “não deu entrada qualquer pedido de licenciamento” para a zona em questão.

“A Câmara Municipal estará atenta a qualquer tipo de projeto que pensem para ali. Seremos exigentes e estaremos na defesa do ambiente e das populações também. Neste momento, é prematuro falarmos do que quer que seja porque não deu entrada na Câmara Municipal qualquer pedido, qualquer projeto, sobre o que quer que fosse, relativamente a essa transformação do bagaço da azeitona”, explicou Amílcar Salvador.

O autarca adiantou que no local já “houve, de facto, alguns movimentos de terra”, mas o proprietário foi notificado para fazer o “pedido de licenciamento”.

“Quero continuar a reunir, a estar atento, quer com as populações, quer com as Juntas de Freguesia envolventes, nomeadamente Valdujo, Cótimos, Cogula e Vale do Seixo”, referiu.

As Juntas de Freguesia “também já fizeram uma exposição” à Câmara Municipal de Trancoso sobre o assunto.

“Seremos intransigentes no cumprimento de todas as normas ambientais do que quer que venha a ser” projetado, promete Amílcar Salvador.

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