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Fé de pescadores de Viana do Castelo “não permitirá” boicote à procissão ao mar

O presidente da Câmara de Viana do Castelo disse "não acreditar" que os pescadores boicotem a procissão ao mar durante as Festas d'Agonia, porque a "fé e devoção" à padroeira "falará mais alto".

Francisco Neves/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente da Câmara de Viana do Castelo disse esta quinta-feira “não acreditar” que os pescadores do concelho avancem com um boicote à procissão ao mar durante as Festas d’Agonia, porque a “fé e devoção” à padroeira “falará mais alto”.

Na origem de um eventual protesto estará a instalação do Windfloat Atlantic (WFA), um projeto de uma central eólica ‘offshore’ (no mar), ao largo de Viana do Castelo, orçado em 125 milhões de euros, coordenado pela EDP, através da EDP Renováveis.

Cerca de oito dezenas de embarcações locais de Viana do Castelo e Caminha reclamam a atribuição de uma compensação pelos prejuízos causados pela interdição da pesca na envolvente (0,5 quilómetros de cada lado) do cabo submarino, com cerca de 17 quilómetros de extensão, que vai ligar o parque eólico flutuante à rede, instalada em Viana do Castelo.

Os pescadores queixam-se de “terem sido excluídos do acordo da compensação de um milhão de euros que a Windplus, titular da Utilização do Espaço Marítimo Nacional, negociou com a associação de pescadores Vianapesca, para compensar 16 armadores potencialmente afetados pela instalação do WFA”.

Hoje, no período antes da ordem do dia da reunião camarária de Viana do Castelo, o autarca socialista José Maria Costa, que respondia à interpelação dos dois vereadores do PSD, Paula Veiga e Hermenegildo Costa, recusou essa possibilidade.

“Não acredito que a gente da ribeira deixe de fazer a procissão ao mar. Há valores mais altos que se levantam, como a fé e a enorme devoção a Nossa Senhora d’Agonia”, afirmou José Maria Costa.

O autarca explicou que um eventual boicote poderá ter sido equacionado no “calor da discussão” em torno da compensação que os pescadores reclamam, mas sublinhou que “há sentimentos mais fortes que se sobrepõem a essas questões”.

O presidente da Câmara da capital do Alto Minho acrescentou que, na próxima semana, haverá nova reunião entre os pescadores e o secretário de Estado das Pescas, José Apolinário.

“Para a semana vamos reunir com o secretário de estado das pescas e vamos tentar encontrar. Estou convencido que vamos chegar a um entendimento e não acredito que cheguemos a essa situação”, disse, referindo-se a um boicote à procissão ao mar e ao rio, no dia 20, considerado um dos números mais emblemáticos da Romaria d’Agonia.

A procissão ao rio e ao mar cumpre-se sempre a 20 de agosto, desde 1968. Já o culto à padroeira dos pescadores tem a sua primeira referência escrita em 1744.

Em 2019, completam-se 51 anos da realização da procissão ao mar e ao rio, em honra de Nossa Senhora d’ Agonia. Na segunda-feira, dia 20, feriado municipal, as margens do rio Lima enchem-se. São milhares de pessoas concentradas para ver e saudar a procissão, envolvendo mais de uma centena de embarcações de pesca e de recreio.

Além da Senhora da Agonia, são ainda transportadas ao mar e ao rio as imagens da Senhora de Monserrate, de São Pedro, da Senhora dos Mares e o de Frei Bartolomeu dos Mártires que, desde 2015, passou a integrar a procissão.

No regresso a terra, os pescadores transportam os andores de novo à igreja de Nossa Senhora d’Agonia, situada no Campo da Agonia, passando pelas ruas da ribeira onde, durante a madrugada, foram confecionados, manualmente, os típicos tapetes de sal.

A confeção dos desenhos, gravados em cinco ruas e uma alameda, com mais de 30 toneladas de sal colorido, realiza-se sempre na noite anterior ao dia da padroeira, feriado municipal, mobilizando centenas de pessoas, sobretudo moradores daquela zona da cidade.

A preparação começa meses antes da festa, mas a “noite dos tapetes”, como é localmente conhecida, atrai milhares de forasteiros que se perdem pelas tasquinhas da ribeira, animadas durante toda a madrugada com concertinas e cantares ao desafio.

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