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Jornalismo

José Eduardo Moniz e saída da TVI para a Ongoing: “Estava ceguinho? Estava”

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As pressões de Soares, Santana, Sócrates. A ingenuidade da saída para a Ongoing. E o papel no Benfica. Pontos altos da entrevista de João Miguel Tavares a José Eduardo Moniz na Rádio Observador.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

José Eduardo Moniz admite em entrevista ao programa Artigo 38, na Rádio Observador, que quando saiu da TVI para a Ongoing foi seduzido por um projeto, sem ter consciência de que o Governo de Sócrates estava a tentar comprar o seu silêncio para sair pacificamente. “Estava ceguinho?”, perguntou-lhe João Miguel Tavares. “Estava, estava ceguinho. Como ceguinho que sou também tive um cão-guia. Os olhos abriram-se e tomei a iniciativa de me vir embora. Percebi que era tudo uma fantochada”, respondeu José Eduardo Moniz. Referiu especificamente a negociação de canais de tv e rádio no Brasil e em África, sem que depois fossem concretizadas: “No momento em que o dinheiro devia aparecer não apareceu”.

A saída da TVI de Pais do Amaral foi assim justificada: “Dificilmente ia poder continuar a conciliar as minhas divergências com quem era proprietário da empresa. Quando me apercebi que estávamos em rotas divergentes, fui-me embora.” Voltou depois como consultor, e garante que assim se mantém: cai continuar a trabalhar com Luís Cabral como fazia com Rosa Cullell, não percebendo as notícias segundo as quais ia deixar de ser consultor da TVI. “É um privilégio. Pode parecer presunção da minha parte mas é mesmo assim: neste momento só faço o que me apetece fazer. Se amanhã alguém me chatear vou-me embora. Apetece-me fazer bom jornalismo e apetece-me ter boa ficção que eu gosto. Gosto de contar histórias.”

Para ouvir a entrevista de 42 minutos, basta clicar aqui:

Ao longo da conversa, José Eduardo Moniz recordou o conflito com Mário Soares nos anos 90 quando era diretor da RTP e a forma como o resolveu, a conversa em que um secretário de Estado lhe quis sugerir o nome de um diretor adjunto, a decisão de não processar o rival da SIC, Emídio Rangel, que achava um bom líder e “um bom adversário”, e as pressões políticas sobre a administração da TVI: dos “lacaios” de Santana Lopes ao cerco de José Sócrates sobre a redação e a administração, a que só conseguiu resistir, diz, devido às audiências e às receitas. Contou ainda que a mulher, Manuela Moura Guedes, se dirigiu diretamente à administração para informar que ia deixar de apresentar o jornal das 8 à revelia dele, aproveitando uma ausência do marido, por entender que era a melhor forma de salvaguardar o essencial.

Houve ainda tempo para falar de futebol e do Benfica, clube de que José Eduardo Moniz é administrador, mas admite que tem um papel limitado na gestão. “É preciso perceber que os clubes são muito centralizados numa pessoa”. Garante que não tem a ambição de ser presidente, mas entende que em todas as instituições deve haver limitação de mandatos, embora nunca tenha abordado esse assunto com Luís Filipe Vieira, que está no Benfica há 16 anos. “Ninguém se deve eternizar. Não quer dizer que não voltemos. Mas acho que tem de se dar oportunidades a outros”.

Artigo 38 (o artigo da Constituição sobre a liberdade de imprensa) é o programa de entrevistas de João Miguel Tavares na Rádio Observador e pretende colocar jornalistas influentes na pele de entrevistados. É transmitido aos sábados depois das notícias das 13h00. Repete às 22h00 e aos domingos às 18h00. Pode ouvir em 98.7 FM na Grande Lisboa ou aqui no site do Observador.

Pode ainda aproveitar para ouvir as três entrevistas anteriores. Basta clicar nos nomes:

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