Rádio Observador

Paris

Remoção de chumbo disperso pelo incêndio de Notre-Dame vai ser demorada

Centenas de toneladas de chumbo foram derramadas ou dispersas em partículas. Os trabalhos envolvem um total de 10 mil metros quadrados. Envenenamento por chumbo pode afetar principalmente crianças.

Os trabalhos deverão terminar em outubro

RAFAEL YAGHOBZADEH / POOL/EPA

Os trabalhos de remoção do chumbo tóxico disperso pelo incêndio ocorrido na Catedral de Notre-Dame, em Paris, em 15 de abril deste ano, começaram esta terça-feira, num ambiente de críticas locais pelos atrasos em tomar medidas preventivas.

Centenas de toneladas de chumbo foram derramadas ou dispersas em partículas e as autoridades foram fortemente criticadas por diversas associações pela forma tardia como a situação foi revelada e tratada.

Os trabalhos – que envolvem um total de 10 mil metros quadrados – deverão mobilizar vários processos de descontaminação e vão continuar até 23 de outubro, segundo as autoridades.

Ocorrido em 15 de abril, o incêndio que atingiu a emblemática catedral situada em Paris provocou a libertação para a atmosfera de várias toneladas de partículas de chumbo, tendo sido verificado, em vários locais nas imediações do monumento, níveis de concentração do metal considerados como prejudicais para a saúde pública.

O primeiro passo na descontaminação é aspirar todo o chumbo possível do asfalto da rua, depois uma escovagem com um produto tensioativo e, finalmente, uma limpeza com alta pressão que permita a recuperação imediata das águas, por aspiração.

No final de julho, um grupo ambientalista francês apresentou uma queixa judicial por causa da poluição com chumbo provocada pelo incêndio da Catedral de Notre-Dame, acusando as autoridades competentes de ineficácia e de falta de transparência.

Segundo a associação ambientalista francesa Robin des Bois (Robin dos Bosques, na tradução em português), que apresentou a queixa junto da Procuradoria de Paris, as diversas autoridades competentes, nacionais e parisienses, falharam por não terem imposto imediatamente medidas de proteção face aos elevados níveis de concentração de chumbo e, como tal, por terem colocado, de forma deliberada, em perigo a vida humana.

Os ambientalistas apontam responsabilidades à Câmara de Paris, ao Ministério da Cultura francês, à Agência de Saúde regional, à polícia parisiense e às autoridades da região da Île-de-France.

As crianças são especialmente vulneráveis a problemas de saúde decorrentes do envenenamento por chumbo, que pode ser fatal.

Na semana passada, a câmara da capital francesa decidiu encerrar provisoriamente e “por precaução” duas escolas localizadas na zona da Catedral de Notre-Dame.

Após testes realizados pela Agência de Saúde regional nas instalações das duas escolas foram detetados níveis de concentração de chumbo superiores ao limite de 5.000 microgramas por metro quadrado.

Durante o atual período de férias escolares, estes dois estabelecimentos de ensino estavam a ser utilizados como centros de lazer para cerca de 180 crianças.

As autoridades de saúde pública também recomendaram que fossem realizadas análises de sangue às crianças e às mulheres grávidas residentes nas áreas vizinhas do monumento.

Segundo uma investigação do jornal ‘on-line’ Mediapart, publicada em julho, as autoridades francesas terão ocultado da opinião pública que o incêndio na catedral provocou a libertação para a atmosfera de uma quantidade de chumbo que ultrapassa, amplamente, os níveis considerados como seguros para a saúde das pessoas.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)