As imagens denunciadas por uma organização não governamental (ONG) mostram cerca de 80 presos completamente nus, deitados de bruços sobre um chão de cimento e com os braços a cobrirem a nuca, a beijarem o solo. É sobre esta espécie de palco humano que acontece uma luta entre galos. A assistir estão os guardas prisionais que puxam pelas aves e troçam da situação dos detidos.

O vídeo foi filmado no centro de detenção de Anaco, no estado venezuelano de Anzoátegui, e foi divulgado pela organização não-governamental (ONG) Una Ventana a La Liberdad, para denunciar as condições desumanas nas prisões da Venezuela onde estão detidos muitos opositores ao regime de Nicolas Maduro.

Uma das imagens, reproduzidas não na sua totalidade por vários jornais como o espanhol El Mundo, pode-se ver um preso que levanta a cabeça incomodado pelos galos estarem a lutar sobre as suas costas e que é agredido na cabeça por um guarda com uma tábua e que lhe grita para “calar a boca”.  O vídeo foi publicado no dia 30 de setembro pela ONG, e mostra filmagens da semana anterior, uma altura que se registou temperaturas de 30 graus, como descreve o El Mundo.

Segundo contaram alguns familiares ao jornal espanhol, os reclusos terão iniciado uma revolta contra a falta de água, comida e medicamentos. “Os presos torturados em Anaco, na esquadra municipal, eram os presos que estavam lá, todos em geral. Não aqueles em particular. Segundo Carlos Nieto Palma, coordenador geral da Una Ventana à Libertad, esta retaliação por parte dos guardas será uma resposta, por “vingança”, à recusa dos familiares em pagar subornos.

A ONG denunciou ainda que os guardas retiraram os presos de cada uma das celas depois de deitar combustível no seu interior, e forçaram-nos a despirem-se enquanto distribuíam golpes nas nádegas com tábuas de madeiras, vistas no vídeo. Entre aqueles que demonstraram maior resistência, houve golpes na cabeça, além de asfixia com sacolas plásticas.

Em causa não estão apenas os abusos e a violência, mas também sobrelotação destes centros penitenciários improvisados em esquadras de polícia. O ministério dos serviços prisionais, governado por Iris Varela, ordenou há anos que os detidos permanecessem em esquadras sem condições para uma detenção prolongada em vez de serem transferidos para prisões, isto apesar de a lei fixar uma estadia máxima de 48 horas.

Em 500 centros de detenção, existem atualmente cerca de 50.000 presos. As Nações Unidas aprovaram uma comissão para investigar a violação dos direitos humanos na Venezuela que será o primeiro país na América Latina a ser submetido investigação.