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António Leitão Amaro anunciou esta sexta-feira que vai apoiar Luís Montenegro nas diretas do PSD. Depois de apoiar nas últimas diretas o atual líder social-democrata, Rui Rio, Leitão Amaro troca agora Rio pelo seu principal opositor, Luís Montenegro.

No programa “Vichyssoise” da Rádio Observador, António Leitão Amaro afirmou que “é altura de mudar de vida dentro do PSD”.

“Tenho muita estima pessoal por Rui Rio, mas acho que Luís Montenegro é significativamente melhor como solução para o país não só para construir uma oposição unida e construtiva para o país, mas sobretudo para construir um projeto de prosperidade que convença e mobilize os portugueses”, disse o ex-deputado do PSD.

Leitão Amaro acrescentou que Luís Montenegro pode ser “mais um candidato” para o país que se pode tornar num primeiro-ministro “à semelhança dos dos melhores que tivemos em Portugal” e comparou-o a Sá Carneiro, Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho.

Apesar de garantir que Luís Montenegro não será uma cópia de nenhum dos outros presidentes do partido, Leitão Amaro recorda o “que muitos diziam de Pedro Passos Coelho” quando se candidatou a presidente do PSD: “Muita gente não o conhecia, dizia que era um produto do aparelho, só tinha percurso na JSD e veio a revelar-se uma pessoa de sentido de Estado e de prioridade ao interesse nacional extraordinária”.

“Estou verdadeiramente convicto, não é um mal menor, notem que estou a apresentar o meu apoio no inicio do processo eleitoral o que significa que é uma escolha absolutamente convicta”, disse destacando três diferenças essenciais do projeto de Luís Montenegro: uma “grande vontade de unir o partido”, de “abrir o partido à sociedade” e “de inspiração e mobilização dos portugueses, sendo claro na diferença e alternativa ao Partido Socialista”.

E dá o exemplo da liderança do grupo parlamentar onde “Luís Montenegro fez essa construção de união em momentos dificílimos, como nunca passámos nestes dois anos. Um grupo parlamentar que tinha pessoas que eram sociais-democratas, outros liberais, outros mais democratas cristãos, algumas pessoas mais conservadoras. E consegui-o nas decisões mais difíceis que o PSD teve de votar nas últimas décadas”.

Ainda no rescaldo das eleições legislativas, António Leitão Amaro disse que “em nenhum momento se poderia permitir que o resultado fosse normalizado”. “É o pior dos últimos 35 anos, a única vez que o PSD teve um resultado tão mau foi quando em certa medida trabalhava numa estratégia que tinha pontos de semelhança, em 1983. É um resultado que o PSD não pode aceitar”, disse, em tom de crítica a Rui Rio.

Apesar de ter apoiado Rio nas últimas diretas do partido, Leitão Amaro justificou o apoio dado como “o bem que preferiu naquele momento”, mas destacou que “cada vez que Montenegro falou” foi notória a “diferença de capacidade política” entre o atual líder do PSD e o seu principal opositor.

O ex-vice-presidente da bancada parlamentar já sob direção de Rio à frente do PSD diz que o atual líder “é um bom homem e bem intencionado” e que até “é seguramente melhor que António Costa. A questão é saber se isso chega para o PSD”, diz.

“Uma diferença de capacidade política, que foi notória em alguns episódios de erros crassos de Rui Rio. Por exemplo, na matéria dos professores, na desigualdade de horário de trabalho no privado e público, no controlo político do Ministério Público. Ambos falaram e o tempo mostrou que Montenegro tinha a intuição certa”, afirmou para justificar o apoio a Montenegro nas próximas diretas do partido.

Quanto à acusação de que Montenegro pode contribuir para desvirtuar a matriz  ideológica do partido, Leitão Amaro diz que essa alteração só podia acontecer se vingasse a tese “que alguns têm junto de Rui Rio”: “Tornar o PSD mais muleta e mais parecido com o PS é tentar reverter duas decisões históricas tomadas pelo partido. Uma no confronto com Sá Carneiro que levou a uma desagregação de parte do PSD e a segunda no congresso de 1985 da Figueira da Foz. Em ambos os momentos, Sá Carneiro e Cavaco Silva disseram que somos a alternativa ao Partido Socialista”, conclui o ex-secretário de Estado.

Oiça aqui na íntegra o programa com a entrevista a António Leitão Amaro.