Esta segunda-feira chega ao fim a prorrogação do embargo criada em agosto que permitia às empresas norte-americanas continuarem a negociar com a tecnológica chinesa Huawei. Contudo, mais uma vez, os efeitos desta decisão do executivo norte-americano foram ser suspensos por mais três meses, divulgou o departamento de Comércio dos EUA, como avançou o The Verge. Os efeitos da suspensão foram, assim, adiados até 16 de fevereiro de 2020.

À semelhança do que tem acontecido desde maio, os EUA continuam a deixar a Huawei numa posição de incerteza. Apesar de a Reuters ter afirmado na semana passada que, desta vez, a prorrogação seria apenas de duas semanas, este alargamento foi novamente de 90 dias.

Como justificação para mais uma prorrogação da suspensão do embargo, o governo norte-americano, pela voz de Wilbur Ross, secretário do Comércio, tinha afirmado na sexta-feira ao canal Fox Business Network que alguns operadores em zonas rurais ainda estão dependentes da Huawei. Estas empresas de telecomunicações, à semelhança de muitas em todo o mundo, utilizam componentes de infraestruturas de rede da empresa chinesa nas suas redes.

No final de maio, os EUA emitiram um decreto executivo por motivos de segurança nacional que proibia negócios com a Huawei incluíndo-a numa “lista negra” na qual também está a ZTE, outra tecnológica chinesa. Rapidamente, e depois do alvoroço criado pela cessação de parcerias com a maioria das empresas tecnológicas norte-americanas — como a Google, que detém o Android, ou a fabricante de chips Qualcomm —, houve uma suspensão dos efeitos do embargo até agosto e, nesse mês, foi alargado para esta segunda-feira.

Como medida para salvaguardar o seu negócio, a Huawei anunciou no verão o seu próprio sistema operativo, que poderá vir a concorrer com o Android, que é utilizado como base dos smartphones da empresa, uma medida que foi encarada como um dos planos para a empresa mostrar que pode não vir a depender tanto de empresas norte-americanas. Além disso, tem anunciado vários contratos para redes 5G, como na Rússia.

Com a prorrogação da suspensão do embargo, as empresas norte-americanas podem continuar a negociar com a tecnológica chinesa. Contudo, o cenário de incerteza relativamente ao futuro continua no ar. Várias empresas pediram licenças especiais para negociar neste entretanto com a Huawei, mas continuam sem ter resposta dos EUA. Com estas licenças — os pedidos já vão em duzentos — a Huawei poderia voltar, enquanto não há uma decisão definitiva e as prorrogações continuam, a lançar equipamentos com software da Google, por exemplo.

Ainda no início deste mês, durante a Web Summit, o diretor tecnológico da Casa Branca, Michael Kratsios, utilizou o evento para atacar a Huawei e reafirmar a desconfiança do país relativamente à empresa.

“A lei chinesa, que incluiu a Huawei, obriga todas as empresas chinesas, inclusivé a Huawei, a cooperar com seus Serviços de Inteligência e Segurança. Não importa onde a empresa opera”, afirmou Kratsios. No mesmo dia e em resposta, a Huawei reiterou a ideia que tem defendido: “A Huawei é uma empresa 100% privada, exclusivamente detida pelos seus funcionários”. Além disso, disse que a alegações de Kratsios foram “hipócritas e manifestamente falsas”.

(Em atualização)