O Presidente da República admitiu esta segunda-feira estar receoso em relação à meta de erradicar os sem-abrigo até 2023. Para Marcelo Rebelo de Sousa, a mudança radical de responsáveis governativos na área da Segurança Social será um dos entraves, avançou ao Expresso.

Ao mesmo jornal, Marcelo identificou o que diz ser um “triplo problema” na resposta a um problema crescente no país: a “paragem no ano eleitoral de 2019”; a “total falta de casas por causa da vertiginosa subida do custo em Lisboa e Porto”; e a “deficiência da ligação ao Serviço Nacional de Saúde no que toca à Saúde Mental”.

Para o Presidente há ainda um quarto fator: “Já em 2019, com a desaceleração da economia, houve um aumento, ligeiro, de sem-abrigo”. Concluindo que “no essencial, foi um ano eleitoral parado, até no apoio aos movimentos de voluntários e outros”. O Plano de Acção 2019-20 da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo foi aprovado em meados de 2019.

Para além da mudança radical de responsáveis governativos, Marcelo apontou ainda como um problema o facto de a secretaria de Estado da Ação Social passar a estar sediada na Guarda — como foi recentemente anunciado –, uma vez que é em Lisboa e no Porto que se concentram mais sem-abrigo.

Marcelo tem colocado esta tema no topo das prioridades políticas do poder executivo e não tem deixado que a questão caia no esquecimento. O Presidente da República convocou esta segunda-feira o Governo, entidades públicas, sociais e movimentos de voluntários para uma reunião no Palácio de Belém com o objetivo de fazer um “ponto de situação sobre o Plano de Acção 2019-20 da Estratégia Nacional para a Integração de Pessoas em Situação de Sem-Abrigo (ENIPSSA).