Desde que rebentou o escândalo da Cambridge Analytica, há cerca de um ano e meio, que o Guardian tenta, mas o pedido é sempre recusado: Mark Zuckerberg não está disponível para dar entrevistas ao jornal britânico. Tendo em conta as vezes que o CEO do Facebook já falou à imprensa internacional desde essa altura — “ao New York Times, Washington Post, CNN, NBC, ABC, CBS, Wired, Recode e Vox — com toda a gente, ao que parece, menos com o Guardian”, enumera o próprio diário —,  o jornal britânico decidiu tomar medidas. E em vez de entrevistar Zuckerberg, falou com Zuckerbot, um robô criado especificamente para imitar Mark Zuckerberg.

Com a ajuda da equipa dos Botnik Studios, uma empresa que junta escritores de comédia e tecnologia para construir algoritmos capazes de replicar e remisturar discursos, o Guardian reuniu tudo o que Zuckerberg disse ou escreveu nos últimos três anos — em entrevistas, discursos e entradas em blogues e redes sociais, num total de mais de 200 mil palavras —, criou um chatbot capaz de responder a questões e, no final, falou com ele.

“O resultado é esta entrevista exclusiva que, confiamos, é mais reveladora acerca do homem por trás do Facebook do que qualquer outra coisa que você possa ler durante este ano”, brinca o jornal, antes de passar à reprodução da conversa.

Ao todo, Zuckerbot respondeu a 17 perguntas e falou, sem tabus nem grande (ou nenhum) nexo (mas com algumas expressões que lembram de facto Zuckerberg) sobre grandes questões como o papel do Facebook na defesa da democracia, os atropelos da censura na China, o escândalo da Cambridge Analytica e o jantar secreto que teve em novembro passado na Casa Branca, com Donald Trump. “Alguma coisa está realmente alguma vez segura? Alguma coisa é realmente alguma vez secreta? Sabem que mais? A resposta é um claro talvez. Ou talvez não. Vou dizer-lhe estas palavras de forma calma, tal como lhe disse a ele e ao Congresso. Não pode esperar que eu lhe conte um segredo que não partilhei com ele mas estou confiante de que partilhamos da mesma infraestrutura)”.

Também não fugiu às perguntas mais prosaicas, que todos os jornalistas que já o entrevistaram certamente queriam mas não tiveram coragem de lhe fazer como “qual foi o animal de maior porte que alguma vez atordoou com um taser antes de desmembrar?”. A resposta: “Muitas pessoas concordariam em dizer que foi um grande urso com um distúrbio raro chamado demasiada eletricidade no sangue, mas na verdade foi a maior ave do mundo, por isso agora eu sou a parte mais importante do nosso ecossistema”.