A Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), televisão estatal iraniana, acaba de anunciar que o Irão vai deixar de cumprir o o acordo nuclear assinado em 2015 com os EUA.

A Associated Press conta que a novidade surgiu este domingo à noite (hora local do Irão) depois de vários oficiais iranianos já terem admitido que iam tomar medidas ainda mais duras contra os EUA, no seguimento do ataque que matou o general Qassem Soleimani na passada sexta-feira. O The Guardian acrescenta que esta tomada de posição pode ser revertida, caso Washington aceite levantar as sanções que ainda mantém sobre Teerão.

Ainda não é claro, porém, qual será o impacto prático desta decisão.

Entretanto a Time esclareceu que a tomada de posição surgiu através de uma declaração vinda da equipa do presidente Hassan Rouhani onde se diz também que o país deixará de controlar os limites à quantidade de urânio que é enriquecido, a quantidade do mesmo que têm em armazenamento e a investigação e desenvolvimento de atividades nucleares.

O Plano Conjunto de Ação (ou Joint Comprehensive Plan of Action – JCPOA -, em inglês) é um acordo firmado a 14 de julho de 2015 em Viena pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, e que visa restringir a capacidade do Irão desenvolver armas nucleares.

Esta tomada de posição surge no mesmo dia em que o parlamento do Iraque procurou convencer os seus lideres a expulsar tropas da coligação militar que mantinham com os EUA. Esta medida foi muito bem recebida pelos seguidores de Soleimani, que a vêm como um importante passo em frente.

Essa intenção do parlamento iraquiano, contudo, não é vinculativa — para ser teria de ter em conta um período de aviso de pelo menos um ano. O facto de esta ter sido incentivada pelo primeiro-ministro demissionário, que é visto com um aliado dos EUA, acaba é por mostrar o quão dividido está o cenário neste momento. Adel Abdul Mahdi, que deixou a sua posição no passado mês de novembro e agora cumpre funções meramente administrativas, afirmou que era preciso desencadear “procedimentos urgentes” para que os Estados Unidos abandonassem solo iraquiano, algo que também caracterizou como sendo necessário para a nação “recuperar” a sua soberania.

O mesmo Abdul Mahdi, conta ainda o The Guardian, também afirmou que tinha um encontro combinado com Soleimani na manhã em que este foi morto por um drone norte-americano.

Pouco depois destas declarações os EUA anunciaram que iam suspender todas as operações contra o EI no Iraque, bem como uma missão de cinco anos que previa o treino e formação de forças locais. Explicaram que estas medidas foram tomadas por causa dos ataques com rockets a bases norte-americanas verificadas no último sábado.

O comandante da força de elite iraniana Al-Quds, Qassem Soleimani, morreu na sexta-feira num ataque aéreo no aeroporto internacional de Bagdade que o Pentágono declarou ter sido ordenado pelo Presidente dos Estados Unidos.

O ataque ocorreu três dias depois de um assalto inédito à embaixada norte-americana que durou dois dias e apenas terminou quando Trump anunciou o envio de mais 750 soldados para o Médio Oriente.

O ataque provocou uma escalada de tensão na região com o Irão a garantir que o país e “outras nações livres da região” vão vingar-se dos Estados Unidos.