A Nissan tem no Leaf um modelo de sucesso, que conseguiu conquistar 450.000 clientes durante cerca de nove anos de fabricação, transformando este Nissan no eléctrico mais vendido do mundo. Lançado em finais de 2010, o Leaf atingiu as 100.000 unidades em 2015, para depois ultrapassar as 200.000 em 2015, as 300.000 em 2018, as 400.000 em 2019, para depois atingir 450.000 no início de 2020.

O mais curioso neste anúncio é mesmo o número, porque tradicionalmente não se comemora 450.000 exemplares, esperando-se calmamente pelo meio milhão de unidades. Sobretudo, depois de serem anunciados os resultados do ano anterior. Isto levou a que alguns (mais desconfiados) fossem à procura de uma explicação para a reivindicação de um número de comercialização que não é redondo.

Antes de mais, esta questão não retira mérito algum ao Leaf, que é um dos melhores eléctricos do mercado, sobretudo agora que alia a versão com bateria de 40 kWh ao Leaf e+, com 62 kWh, o que lhe permite elevar a autonomia para níveis mais respeitáveis. Esperavam-se preços mais acessíveis, mas o mercado vai encarregar-se de forçar essa opção, especialmente se o VW ID.3 sempre aparecer no mercado com os preços que prometeu.

Mas a realidade é que, em termos de vendas, o Leaf batalhou, praticamente sozinho durante os primeiros dois anos, para tentar convencer os condutores que o automóvel eléctrico poderia ser uma solução para alguns. Isto num período em que os postos de carga não abundavam. Mas continuávamos sem saber o motivo que poderá ter levado o fabricante japonês a anunciar o marco histórico das 450.000 unidades em Janeiro, quando poderia ter esperado mais uns meses e reivindicado 500.000 veículos.

A possível explicação surgiu depois de se determinar as vendas do Model 3 da Tesla, que só em 2019 vendeu no mercado global cerca de 301.000 veículos, contra apenas 70.000 Nissan Leaf, o que coloca as vendas totais do eléctrico norte-americano, desde meados de 2017 (quando iniciou a comercialização das primeiras unidades), em quase 450.000. Daí que o fabricante japonês se tivesse apressado a anunciar o seu eléctrico como o mais vendido no mundo, sabendo de antemão que seria um recorde que iria durar apenas dias, com o Model 3 a conseguir em cerca de 2,5 anos vender tantos carros do que o Leaf em quase nove.