O Observador entrevistou os principais candidatos à liderança do CDS numa ‘mini’-entrevista — é um formato em vídeo em que a entrevista tem o tempo que demora a beber uma ‘mini’.

O único candidato do CDS que é deputado recebeu o Observador para uma ‘mini’-entrevista no Parlamento. Bebeu água, em vez de uma ‘mini’, pelo respeito institucional que o Parlamento lhe merece. Sobre o grupo parlamentar do CDS, nega que seja uma “mini-bancada” e admite que “é mais pequena” do que o partido gostava de ter. Quem está prestes a abandonar essa bancada é Assunção Cristas. Questionado sobre se tem o apoio da atual líder, aquele que tem sido apontado como o candidato da “continuidade” da atual direção, responde de forma rápida e seca: “Não”.

[Veja aqui a ‘mini’-entrevista a João Almeida]

Ser o candidato da continuidade é um rótulo que também não aceita. “Para [os outros candidatos] terem tanto esforço a apontar isso é porque não sou [o candidato da continuidade] e querem muito que seja“, afirma João Almeida. O candidato assume a “continuidade”, mas de todos os líderes anteriores, e demarca-se da estratégia de Assunção Cristas: “Do ponto de vista do estilo, sou da continuidade de mim mesmo, que já demonstrei em muitas propostas. O meu estilo sempre foi o meu estilo, não é o de mais ninguém”.

João Almeida nega também ser a a continuidade de um CDS “moderninho”, já que diz que o partido que defende é um “CDS cosmopolita, contemporâneo, mas com uma consistência muito grande daquilo que é a sua base doutrinária e daquilo que é o seu percurso histórico”.

Relativamente às questões de costumes, João Almeida não vê razões para mexer nem na lei do aborto nem no casamento entre pessoas do mesmo sexo. Sobre o aborto, destaca que o último referendo “vale como valeu o anterior”: “Quando ganhou o ‘não’ disse que devia haver estabilidade relativamente a isso, não é agora por ter ganho o ‘sim’ que vou dizer uma coisa diferente”. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, João Almeida recorda que defendeu na altura que se optasse pela “união civil”, mas agora não é tempo para voltar a mexer na lei: “Havendo produção de efeitos jurídicos da solução que foi consagrada, não podemos andar a mudar a lei e a brincar com a vida das pessoas a toda hora“.

João Almeida não teme uma “geringonça” interna que eventualmente juntasse as moções derrotadas para escolherem um livre alternativo. O candidato à liderança do CDS destaca que o mais “normal” é que o líder possa emergir da moção mais votada, mas respeitará “tudo o que seja a escolha dos militantes” e adverte que “os congressos têm as suas próprias dinâmicas”.

O candidato não quer dizer se aceitaria fazer parte da direção dos outros dois principais candidatos — afirma que só pensa em ganhar. No entanto, garante que “contaria com qualquer um dos dois”, sem se comprometer com lugares, já que isso também depende das “dinâmicas do congresso”.