O construtor sueco, que já conta com sete modelos híbridos plug-in (PHEV) para reduzir as suas emissões médias de dióxido de carbono (CO2), apresenta finalmente o seu primeiro veículo eléctrico a bateria. Recaiu a escolha no XC40, um dos modelos mais recentes e acessíveis da Volvo, além de necessariamente SUV, a receita da moda que atrai cada vez mais clientes.

Apelidado XC40 P8 AWD Recharge, com este último termo a denominar as motorizações 100% eléctricas da marca nórdica, a versão a bateria do SUV foi apresentada em Itália, exactamente no mesmo país em que o XC40 foi desenhado. O novo eléctrico, além de ajudar a Volvo a respeitar os limites de CO2 impostos por Bruxelas, vai igualmente servir para materializar um plano a mais longo prazo, em que os suecos pretendem reduzir as emissões de CO2 em 40% nos próximos cinco anos, com 50% desse valor a ser assegurado pelos veículos, 25% na produção e outro tanto na rede de fornecedores.

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Como é possível distingui-lo por fora?

A Volvo é mais um fabricante que adoptou plataformas multi-energia, capazes de permitir montar motores a gasolina, a gasóleo, PHEV e eléctricos a bateria, para além de os conseguir fabricar na mesma linha de montagem. Isto permite reduzir os investimentos em plataformas e em fábricas, se bem que a falta de um chassi específico possa impor algumas limitações.

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O Recharge é idêntico aos restantes XC40, excepção feita para a grelha, que surge quase integralmente tapada e pintada na cor da carroçaria, para tornar mais evidente que estamos perante um modelo que não possui grandes necessidades ao nível da refrigeração da mecânica.

Paralelamente, o Recharge recorre ao mesmo chassi das versões com motor de combustão, o que significa que a plataforma é recortada ao centro, de forma a permitir a montagem do pack de baterias. Este, assente numa estrutura de alumínio, é fixado ao chassi por baixo, utilizando o espaço sob o túnel da transmissão em toda zona inferior da base do veículo, que assim passa a exibir uma altura ao solo de 17,5 cm, em vez dos 20,5 cm das restantes versões.

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O que traz de novo por dentro?

Uma vez a bordo, não é fácil distinguir o Recharge dos restantes XC40. Apesar da presença das baterias, pareceu-nos que o espaço à frente e atrás não foi alterado, com os ocupantes do assento posterior a terem a mesma capacidade de “enfiar” os pés sob os bancos anteriores.

Ainda que mantendo a frente comprida, concebida para alojar mecânicas a combustão mais volumosas, o que não permite ao Recharge privilegiar o habitáculo com mais espaço, o SUV eléctrico aproveita as menores necessidades de volumetria do motor eléctrico frontal (a unidade que vimos montava um motor por eixo) para oferecer ao Recharge uma frunk, ou seja, uma bagageira adicional sob o capot da frente. Com 31 litros de capacidade, a frunk do XC40 permite transportar os cabos para o ligar à corrente e mais alguma coisa. Esta nova mala à frente acaba por compensar os 37 litros retirados à bagageira convencional, que anuncia agora 417 litros.

No interior, o realce vai para o sistema de infoentretenimento, o primeiro a recorrer a uma base Android, segundo a marca, o que não lhe limita a capacidade de revelar a mesma eficiência quando a trabalhar com telemóveis Apple. O novo sistema estreado pelo Recharge permite actualizações over-the-air – a Volvo afirma mesmo que todas as funções do veículo poderão ser, a prazo, totalmente actualizáveis por esta via. Como recorre a uma base Android, o motor de busca é o Google, o que torna mais fácil encontrar moradas menos usuais e lá chegar sem problemas.

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Que baterias usa?

Para alimentar os motores eléctricos (vão existir variantes com um, colocado à frente, e com dois, um por eixo), a Volvo recorre a células da LG Chem para construir os packs. Isto no caso dos modelos que vai comercializar na Europa, pois os que vão ser fabricados e vendidos na China, recorrerão a células da Catl.

O pack com maior capacidade atinge 78 kWh, em que a capacidade útil é de 75 kWh, recorrendo sempre a células prismáticas a 400V, com 27 módulos e 324 células. O sistema de refrigeração dos módulos é a água, fundamental uma vez que a Volvo faz questão em recarregar as baterias com uma potência de até 150 kW, o que lhe garante poder ir de 0% a 80% da carga em apenas 40 minutos.

Os XC40 Recharge destinados à Europa serão fabricados em Ghent, na Bélgica, tal como os restantes SUV do mesmo modelo com motor de combustão. Ao contrário dos PHEV da Volvo, que têm energia gratuita durante um ano – para incentivar a recarga da bateria, com vantagens para o utilizador e para o ambiente –, à versão eléctrica não é concedido este benefício.

Que potência anuncia? E a rapidez?

O Volvo XC40 Recharge mais refinado e dispendioso, precisamente a versão que tivemos oportunidade de analisar, monta dois motores de 150 kW por eixo, cerca de 204 cv, o que lhe garante um total de 408 cv, curiosamente a mesma potência do Jaguar I-Pace, do Audi e-tron 55 quattro e do Mercedes EQC.

Com esta potência e uma bateria com 75 kWh úteis, o Volvo eléctrico anuncia “mais de 400 km” de autonomia, sendo expectável um valor próximo dos 425 km, o que lhe conferiria um consumo médio de 17,6 kWh/100 km, melhor do que anunciado para os mencionados rivais, apesar das menores dimensões do XC40 Recharge, que ainda assim “carrega” com cerca de 450 kg de baterias.

A Volvo estima uma velocidade máxima de 180 km/h para o seu primeiro eléctrico, mas uns impressionantes 4,9 segundos de 0-100 km/h, apesar destes valores ainda estarem em processo de homologação.

Que outras versões vão ser oferecidas?

Segundo apurámos, não é possível encaixar mais do que 78 kWh de capacidade de baterias na plataforma do XC40, que não é específica para alojar acumuladores, mas isso não impede a Volvo de propor outras versões do XC40 Recharge com menor capacidade. Comparando com a concorrência, mesmo aquela que ainda não está a ser comercializada, tal como este SUV eléctrico, será possível à Volvo colocar no mercado um Recharge com cerca de 65 kWh e uma autonomia de 350 km, bastando para isso que os responsáveis pela marca sueca consigam atingir com esta redução da capacidade da bateria um palpável corte no preço.

Se a bateria do XC40 eléctrico vai surgir com duas capacidades distintas, também as motorizações vão ser adaptadas às necessidades dos clientes. De momento, a primeira versão do Recharge vai ser proposta com dois motores idênticos, com um total de 408 cv e o nível de equipamento mais elevado, de modo a justificar cerca de 66 mil euros na Suécia. Mas é certo que vão igualmente ser disponibilizadas versões menos possantes e com apenas um motor, como aliás já acontece com os XC40 com motor de combustão.

Quando chega e por quanto?

A produção do XC40 P8 AWD Recharge está prevista iniciar-se em Ghent, na Bélgica, algures durante o próximo mês de Setembro. Portugal não figurará entre o primeiro lote de países a receber o modelo mas, ainda assim, os responsáveis pela Volvo no nosso país estimam que o seu primeiro eléctrico começará a ser entregue aos clientes no final de 2020.

Quanto a preços, ainda é cedo para saber qual vai ser o posicionamento no nosso país, sabendo-se que este, muitas vezes, depende sobretudo da estratégia seguida pela concorrência – e a Tesla está a preparar-se para introduzir no mercado, antes do que se esperava, o Model Y.

O primeiro preço conhecido é o que vai ser praticado na Suécia, 699.000 coroas, ou seja, cerca de 66 mil euros. De todas as formas, é bom que os potenciais interessados não se assustem com este valor, uma vez que diz respeito à versão mais potente e mais bem equipada. Facilmente o preço do XC40 Recharge pode tornar-se muito mais atraente, caso se considerem as versões menos possantes e com menor autonomia.