A equipa de F1 da alemã Mercedes-AMG está localizada, curiosamente, em Inglaterra. E foi exactamente o seu departamento responsável pelo desenvolvimento de motores de competição (o Mercedes-AMG High Performance Powertrains) que assumiu a missão de equipar os hospitais britânicos com ventiladores não invasivos. Num tempo recorde, pois a rapidez é a alma do negócio numa equipa de F1, o Mercedes F1 Team juntou-se à University College of London (UCL) e ao Clinicians no hospital da UCL, para conceber e desenvolver um ventilador simples, integrado no esforço Formula 1 Project Pitlane.

O objectivo era conceber e desenvolver um ventilador não invasivo (essencialmente, um sistema de apoio à respiração para pacientes não entubados) capaz de ajudar os doentes que têm dificuldades respiratórias, mas que ainda não estão necessitados de uma assistência compatível com as unidades de cuidados intensivos.

O equipamento é simples, mas isso não impede que seja notável a rapidez com que foi concebido. Segundo a equipa, mediaram cerca de 100 horas entre a primeira reunião e a produção do primeiro equipamento. As primeiras unidades serviram para ser testadas, e aprovadas, pelo hospital da UCL e pelos outros com quem a universidade tem acordos.

Uma vez testados e aprovados, os equipamentos da Mercedes F1 foram alvo de uma encomenda de 10.000 unidades por parte do serviço nacional de saúde britânico, com a equipa de F1 a produzir actualmente cerca de 1000 unidades por dia. Isto foi conseguido à custa da utilização de 40 máquinas – que deveriam estar a fabricar pistons e turbocompressores na unidade fabril de Brixworth – na produção do equipamento médico.

De caminho, a Mercedes F1 partilha o projecto com quem estiver interessado, permitindo a fabricação por qualquer país com necessidade destas unidades de suporte à respiração de doentes. De acordo com o responsável pela Mercedes-AMG High Performance Powertrains, Andy Cowell, “recebemos muitas consultas a partir do momento em que anunciámos o projecto de produção de um dispositivo CPAP [Continuous Positive Airway Pressure], daí que tivéssemos decidido colocá-lo em ‘open source’”, para que ficasse disponível para todos.

Na opinião do professor David Thomas, da UCL, “estes CPAP vão salvar vidas, ajudando a respirar os pacientes com algumas dificuldades, o que liberta camas das unidades de cuidados intensivos, destinadas a pacientes mais graves”, os tais que necessitam de ventiladores mais sofisticados do tipo invasivo.