A agitação, o caos, o barulho, as filas, as horas de espera com pessoas sentadas à espera do seu voo deram lugar a um aeroporto onde se contam pelos dedos as pessoas que lá estão. É possível ouvir a chuva que lá fora teima em não parar.

Há, no entanto, algo que nos faz esquecer que estamos num imenso corredor com mais de um quilómetro, completamente vazio. “Por favor respeitem as normas de segurança e respeitem as distâncias mínimas entre passageiros”. A voz, vinda dos altifalantes, ecoa numa zona de embarque completamente deserta onde há menos de um mês milhares de pessoas terão passado.

Ao fundo apenas uma funcionária de limpeza com o balde da esfregona no meio do corredor: “Agora já nem é preciso pôr o sinalzinho de aviso do piso estar escorregadio, não há cá ninguém”, conta-nos a sorrir enquanto continua o seu trabalho.

Ao nosso lado as janelas que dão vista para a pista e que são cenário das habituais primeiras fotografias a serem postadas nas redes sociais a anunciar umas férias tão desejadas. As janelas continuam lá mas com uma nova vista: uma estacionamento de aviões. Existem aviões estacionados em todos os cantos possíveis. “Foi aqui feito um tetris autêntico”, explica-nos Sérgio Miranda, Chefe de Operações Aeroportuárias daquele aeroporto. “É uma dor de alma ver o nosso aeroporto assim”, concluiu.

As lojas de Duty Free e de roupa assim como todos os restaurantes continuam lá. Todos encerrados e com essa indicação à porta mas com um desejo: “Esperemos que a abertura seja para breve”.

[Como um “enxame” de aviões desapareceu dos céus:]

Os balcões de check-in onde também estão os ecrãs com as informações dos voos continuam lá mas por agora a única informação que alguns ainda têm é para que os passageiros, inexistentes nesta altura, mantenham as distâncias de segurança entre si. Os restantes estão desligados.

Quem por lá ainda trabalha são sobretudo as forças de segurança, alguns elementos do SEF na fronteira e funcionários aeroportuários, a maior parte na pista e nos carros aos quadrados pretos e amarelos mais conhecidos por “Follow Me“, estes continuam a fazer manutenção das pistas e algum apoio que seja preciso ser dado aos poucos aviões que ali aterram ou descolam.

Na placa, ou pista, é possível para quem lá anda ver do maior para o mais pequeno todos os aviões de perto e até passar por baixo deles. Esta visita feita ao Observador só foi possível porque praticamente aquele aeroporto deixou de ter qualquer tipo de atividade sendo por isso possível também andar a pé pela pista principal do Aeroporto de Lisboa onde, num dia normal, aterram 350 aviões e descolam outros tantos naquele lugar.

O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, à semelhança dos restantes aeroportos nacionais (Porto e Faro) estão encerrados desde a passada quinta-feira até às 00h desta segunda devido a um decreto do Governo com o intuito de limitar a circulação de pessoas no fim de semana da Páscoa e assim tentar diminuir a propagação da pandemia da Covid-19.

Toda a frota da companhia de bandeira, a TAP, está em terra espalhada por vários aeroportos: Porto, Faro, Lisboa, Beja e aeródromo de Cascais. O aeroporto de Lisboa passou de um vai e vem de aviões para um autêntico estacionamento de aeronaves da TAP, Ryanair, Easyjet, SATA entre outras.

A ANA desde dia 30 de março suspendeu a operação do terminal 2 do aeroporto Humberto Delgado, concentrando todos os embarques no Terminal 1. O terminal 2 tem sido utilizado, unicamente, para voos especiais de apoio ao SNS e voos humanitários.

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