O CDS considera que existem “contradições” entre as posições do primeiro-ministro, António Costa, e as do seu ministro Pedro Nuno Santos, sobre a TAP, e exigiu conhecer qual o caminho do Governo para esta empresa.

Esta posição foi transmitida à agência Lusa pelo coordenador da bancada do CDS-PP para as questões da economia, João Gonçalves Pereira, depois de comparar as respostas de António Costa, em entrevista à RTP, na quinta-feira, e as “declarações agressivas” proferidas pelo ministro das Infraestruturas na quarta-feira, na Assembleia da República.

“Primeiro ouvimos as declarações do ministro Pedro Nuno Santos, que foram proferidas no parlamento com excessiva agressividade – e com recados para elementos do PS e, até, eventualmente, para membros do Governo -, num estilo de intervenção em o CDS não se revê. No dia seguinte, ouvimos o primeiro-ministro, usando outro tom, dizendo algo que parece contraditório”, apontou João Gonçalves Pereira.

Por essa razão, segundo João Gonçalves Pereira, “o CDS quer que se esclareça rapidamente quais as soluções do Governo para a TAP, assim como para todo o setor da aviação”.

Ao contrário do ministro das Infraestruturas, o primeiro-ministro afirmou que não se discutem questões acionistas na praça pública e que não quer especulações em público. Portanto, parece que há aqui um recado ao ministro Pedro Nuno Santos. Por isso, o Governo deve esclarecer rapidamente qual o rumo que quer seguir em relação à empresa”, reforçou o deputado do CDS-PP.

João Gonçalves Pereira observou depois que, na sexta-feira, se ficou a saber que os governos holandês e francês vão injetar no grupo Air France/KLM entre 10 e 12 mil milhões de euros.

“Um apoio que passa por aval em vários empréstimos e também por um empréstimo direto do próprio Estado. Nos vários países europeus já se conhecem os apoios que serão dados às companhias aéreas. No caso português, temos uma carta que foi dirigida há mais de um mês pela Comissão Executiva da TAP ao Governo, mas não há qualquer resposta”, criticou o deputado do CDS.

“O quadro de apoios para o setor da aviação, que está a atravessar um mau momento, é urgente. O ministro Pedro Nuno Santos apenas diz que está a estudar, está a avaliar e deixa tudo em aberto. E quando vai surgir a resposta?”, questionou o dirigente democrata-cristão.

João Gonçalves Pereira frisou ainda que, para além das “contradições dentro do próprio Governo”, o país está perante “uma emergência” no que respeita à TAP.

“Há uma emergência em proceder-se a uma injeção de capital na tesouraria da empresa, sob pena de ela se tornar insolvente”, acrescentou.