O presidente dos Estados Unidos revelou, esta segunda-feira, que está a tomar hidroxicloroquina, um medicamento usado para tratar malária e doenças auto-imunes como a artrite reumatóide ou o lúpus, há uma semana e meia, apesar de ter testado negativo para a Covid-19, informa o The Washignton Post.

Na Casa Branca e aos jornalistas, Donald Trump assumiu que toma um comprimido por dia, apesar das incertezas que ainda existem sobre o fármaco e os seus efeitos secundários. A hidroxicloroquina não está aprovada para o combate à Covid-19 e, segundo os especialistas, pode até ser perigosa em algumas patologias.

“Tudo o que vos posso dizer é que, até agora, estou bem. Um comprimido por dia e zero sintomas”, referiu Donald Trump. E acrescentou: “Estou a tomar, a hidroxicloroquina. Penso que seja bom, ouvi histórias muito boas”, completou.

Não é novidade que Donald Trump seja defensor da utilização da hidroxicloroquina, que considera “muito poderosa”, para o tratamento do novo coronavírus, como o Observador já tinha escrito em março. Mas a autoridade que regula o setor nos EUA, a FDA (Food and Drug Administration), não partilha o otimismo do presidente norte-americano.

Stephen Hahn, Comissário para os Alimentos e Medicamentos, já tinha indicado anteriormente (também em março) que o medicamento poderia dar “falsas esperanças” aos americanos. “Até podemos ter a droga certa, mas esta pode não ser a fórmula com a dosagem correta e pode fazer mais mal do que bem”, admitiu Hahn. As incertezas na comunidade científica sobre a toma da hidroxicloroquina têm sido muitas.

Em abril, o responsável da agência de vacinação dos Estados Unidos diz que foi afastado por pressão política, por se ter oposto ao investimento em hidroxicloroquin. Rick Bright foi afastado do seu cargo depois de ter entrado em conflito com a Human Health Services (HHS), o equivalente à Direção-Geral da Saúde dos EUA, por causa da aposta no medicamento.

Também a Agência Europeia do Medicamento defendeu, em abril, que a utilização da hidroxicloroquina no contexto da pandemia de Covid-19 deveria ser “limitada a ensaios clínicos ou protocolos nacionais validados”. E advertiu para os riscos de problemas cardíacos severos  associados à toma do fármaco. Argumentos que, no entanto, não convencem Donald Trump:

“Não me vai prejudicar. O medicamento existe há 40 anos para tratar a malária, lúpus e outras coisas. Eu tomei. Profissionais da linha frente tomam. Muitos médicos tomam. Eu tomo”, concluiu.

Na passada semana, na conferência de imprensa diária, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que em Portugal não há registo de reações adversas ao fármaco hidroxicloroquina. “É um medicamento que deve ser usado de acordo com as suas indicações. A decisão de utilizar é uma decisão médica e sabemos, através do Infarmed, que até à data em Portugal não foram reportadas reações adversas no âmbito do sistema de fármaco vigilância”, disse Graça Freitas.

Aos jornalistas, a diretora-geral da Saúde sublinhou que as instituições nacionais e internacionais continuam a acompanhar a “evolução da utilização deste medicamento em todo o mundo e vão ajustando as suas recomendações de acordo com essa evolução”.