Milhares de pessoas estão a manifestar-se este sábado em várias cidades do mundo contra o racismo e o assassinato do afro-americano George Floyd, nos Estados Unidos, apesar das advertências para o distanciamento social.

Um dos protestos de maior dimensão está a acontecer em Londres. Uma multidão de cidadãos, muitos com máscaras e luvas, concentrou-se na praça em frente ao parlamento britânico, no centro da capital britânica, enquanto se realizavam manifestações noutras zonas do país.

A comissária da Polícia Metropolitana de Londres, Crescida Dick, tinha avisado que as concentrações com mais de seis pessoas são “ilegais” devido às restrições impostas no combate ao novo coronavírus.

O antes e depois da morte de George Floyd pela polícia. Episódio incendeia Minneapolis

Por seu lado, a ministra do Interior britânica, Priti Patel, apelou à população para não participar em manifestações “pela segurança de todos” numa situação de pandemia.

Também em Itália, várias centenas de pessoas protestaram de forma pacífica junto ao consulado dos Estados Unidos em Nápoles, gritando “Não consigo respirar” para denunciar o assassinato de George Floyd.

Em inglês e italiano, os manifestantes gritaram também “Liberdade!” e “Sem justiça, sem paz” naquele que foi um dos primeiros protestos em Itália de solidariedade com Floyd e contra o racismo.

As manifestações multiplicam-se por todo o mundo, em vários países da Europa, América e Ásia, no dia em que arrancam, nos Estados Unidos, as cerimónias fúnebres de George Floyd.

Paris. “Somos vistos como animais”

Milhares de pessoas saíram este sábado à rua em Paris para protestarem pacificamente contra o racismo e a violência policial, mesmo apesar de a manifestação convocada na capital francesa não ter sido autorizada devido ao estado de urgência sanitária.

“No que me diz respeito, o racismo está nos gestos e na maneira como as pessoas olham para mim. Parece que não somos franceses e até parece que não somos homens. Há quem mude de passeio, há que mude de lugar no metro, aconchegam as malas contra si porque acham que as vou roubar. Somos vistos como animais”, denunciou Franc, um dos manifestantes, em declarações à agência Lusa.

O estudante de Direito participou hoje na manifestação e cortejo que decorreram na capital francesa entre a Praça Concorde, junto à Embaixada dos Estados Unidos, e a Torre Eiffel, apesar de o protesto não ter sido aprovado pelas autoridades locais devido ao estado de urgência sanitária em vigor no país e que impede aglomerações de mais de 10 pessoas.

“Acho que podemos encontrar um meio termo. Podemos manifestar-nos e guardar uma distância de segurança. Muitas pessoas aqui estão de máscara. Mesmo antes do vírus havia sempre uma razão para as pessoas não virem manifestar-se”, explicou Franc, que segurava um cartaz onde se podia ler “Black Lives Matter”.

Milhares em protestos contra o racismo em Lisboa, Porto e Coimbra. As fotos das homenagens a Floyd (muitas sem as regras de segurança)

Paris entrou no mapa dos protestos globais após a morte de George Floyd, nos Estados Unidos, com uma manifestação espontânea, na terça-feira, junto ao maior tribunal da capital, que terminou em desacatos e confrontos com a polícia.

George Floyd, de 46 anos, morreu em 25 de maio, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas.

Os quatro polícias envolvidos na operação foram despedidos e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.