O Reino Unido pôs Portugal fora da lista dos “corredores de viagem internacionais”, o que significa que quem for daqui terá de fazer uma quarentena de duas semanas no regresso a solo britânico. O Governo português já contestou e agora o primeiro-ministro vem questionar o “critério único” do número de casos existente no país para determinar o nível de segurança de um país no âmbito da pandemia da Covid-19.

Na conferência de imprensa ao lado do primeiro-ministro espanhol, com quem se reuniu nesta segunda-feira, António Costa critiou a fixação de “um único critério”, argumentando que isso “não protege as populações, nem é um critério fiável para as relações de confiança que é necessário restabelecer para que as viagens retomem a sua normalidade”.

E isto porque “se fosse por um único critério, não faria o menor sentido a posição do Reino Unido, porque é manifesto que, perante o nível de contágio nesse país, comparando com as diferentes regiões de Portugal, qualquer pessoas se sente mais segura em qualquer região portuguesa do que no Reino Unido”. Um tiro no “agressor” que ainda em 2019 foi origem do maior número de turistas a entrarem em Portugal. A decisão britânica está a levantar, por isso mesmo, preocupações com o impacto que pode acarretar para a economia.

Costa cita mesmo a Agência Europeia da Prevenção das Doenças que recomenda que “a avaliação dos riscos deve ter em conta um conjunto muito diversificado de critérios e não um único”. Que tipo de critérios? O número de testes feitos pelo país, diz o primeiro-ministro português que tem insistido, nas suas últimas intervenções sobre o tema, que o colocou entre os que mais testa para a Covid-19. “A comparabilidade deve integrar o conjunto desses critérios”, argumentou Costa.

No final da semana passada, o Reino Unido abriu “corredores de viagens internacionais”, onde incluiu 59 países onde os britânicos podem fazer férias sem terem de cumprir quarentena no regresso e Portugal ficou de fora. Espanha, Itália, França, Bélgica e Grécia estão isentos dessa obrigação. A lista foi elaborada com base numa “avaliação de risco” pelo Centro de Biosegurança Comum [Joint Biosecurity Center], em conjunto com a direção geral de saúde de Inglaterra e teve em conta fatores como a prevalência de coronavírus, o número de novos casos e a trajetória potencial da doença.

O primeiro-ministro defende que seja seguida “a orientação da Comissão Europeia”, tal como Portugal e Espanha estão a fazer, com “uma abertura de fronteiras entre países que alcançaram um nível semelhante de contágio”.