Dez países europeus e africanos concordaram esta segunda-feira com a necessidade de maior cooperação para evitar o desenvolvimento de redes de tráfico de migrantes que beneficiam economicamente dos milhares de pessoas que tentam alcançar a Europa.

Na reunião virtual participaram os ministros do Interior de Itália, França, Alemanha, Malta, Espanha, Argélia, Marrocos, Tunísia, Líbia e Mauritânia, além dos comissários europeus dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, e da Vizinhança e Alargamento, Oliver Varhelyi.

Numa conferência de imprensa após o encontro, Johansson disse que a reunião servirá para continuar a preparação da proposta para um novo pacto migratório, que a Comissão Europeia tem previsto apresentar depois do verão e no qual “a associação com países terceiros será essencial”.

“A conferência sublinhou a necessidade de mais e mais sofisticada coordenação”, adiantou.

Num comunicado conjunto, os ministros afirmam que “reduzir o sofrimento humano, combater a exploração de pessoas vulneráveis e a perda de vidas no mar e na terra permanecem imperativos morais comuns”.

Os 10 ministros “exprimiram um claro compromisso visando prevenir e combater o tráfico de migrantes (…) no quadro da sua abordagem abrangente e equilibrada à gestão das migrações”, segundo o documento.

Segundo a agência europeia de controlo das fronteiras Frontex, o tráfico de migrantes gerou 300 milhões de euros para as redes entre 2017 e 2019.

Os governantes decidiram ainda “reforçar a cooperação entre as forças de segurança (…) através de projetos de formação da polícia (…) e de apoio financeiro para os equipamentos técnicos”.

O Ministério do Interior de Itália, que patrocinou o encontro, disse estar prevista uma reunião “técnica e operacional” depois do verão para aplicar estas diretrizes.

“Utilizaremos todos os meios disponíveis (…) para identificar e punir as redes criminais que exploram os mais vulneráveis”, prometeu a ministra do Interior italiana, Luciana Lamorgese, citada num comunicado.

“Iniciámos hoje todos juntos um percurso importante (…) para tentar gerir o fenómeno complexo das migrações”, disse ainda.

Segundo o Ministério do Interior italiano, 8.988 migrantes desembarcaram nas costas do país entre 1 de janeiro e 13 de julho, contra apenas 3.165 durante o mesmo período de 2019. Em 2018, nesse lapso de tempo, contudo, o número tinha sido de 17.296.

Daquelas quase 9.000 pessoas, mais de 1.200 chegaram nos últimos três dias, beneficiando do bom tempo no Mediterrâneo, e várias dezenas testaram positivo ao novo coronavírus.

Estes desembarques causam novas tensões políticas em Itália, primeira terra europeia na rota dos migrantes que chegam do Norte de África após uma travessia, muitas vezes mortal, do Mediterrâneo.