O bastonário da Ordem dos Veterinários alerta que é “urgente” fazer um levantamento nacional de todos os abrigos para evitar acontecimentos semelhantes aos de Santo Tirso onde no domingo morreram muitos animais — o PAN fala em centenas, GNR não aponta números. Em declarações à Rádio Observador Jorge Cid diz que a tragédia podia ter evitada e “já não devia acontecer em Portugal, num país europeu e evoluído”.

Afirma ainda que há diversos abrigos sem condições e sem pessoas aptas para tratar dos animais, sendo que este é um “problema nacional” e a situação “está completamente descontrolada”.

De acordo com o bastonário, os canis municipais que existem estão sobrelotados e por isso as autoridades competentes não têm soluções para recolher os animais de abrigos ilegais. “Enquanto não se combater na raiz o abandono, nunca mais este problema tem solução”, afirma.

Canis. “Não devia acontecer num país evoluído”

À Agência Lusa, Jorge Cid frisou que o levantamento deve ser em todos os sítios onde há animais, “não só neste tipo de abrigos com animais de companhia, mas também de animais de produção — ovelhas, cabras e bovinos —, sobretudo em zonas do país onde as pessoas têm quatro, cinco ou seis animais” para que, em caso de catástrofe, sejam identificados esses locais para se tentar fazer de imediato um plano de evacuação e salvamento.

O bastonário sublinhou a ação que a Ordem dos Médicos Veterinários teve em Pedrógão, aquando dos grandes incêndios, e disse que “tem havido pedidos sucessivos ao Ministério da Administração Interna para que os médicos veterinários integrem também as equipas de proteção civil“.

“O assunto vai-se arrastando, à boa medida dos assuntos em Portugal em que se vai empurrando com a barriga”, acrescentou.

Jorge Cid disse ainda que já foi constituído um grupo de trabalho para analisar esta matéria, que já fez a primeira reunião e que reunirá novamente esta semana. “É um problema que se resolve a longo prazo, mas com medidas a muito curto prazo”, referiu o bastonário, lembrando que, ao contrário do que é obrigatório por lei, várias autarquias nem sequer veterinários municipais têm.

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Também em declarações à Rádio Observador, a presidente da Associação Animal afirma que há outros canis em Portugal a correrem o mesmo risco que os de Santo Tirso.

Rita Silva diz que falta operância às autoridades e por isso a organização de defesa dos animais vai pedir ao Governo que se apurem responsabilidades.

A responsável explica ainda que a legislação, apesar de existir, não tem sido aplicada corretamente.  Na aplicação da lei em Santo Tirso faltou “essencialmente a prevenção”.

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