A Hyperion Motors é mais um pequeno construtor que acredita no potencial das fuel cells, ou células de combustível a hidrogénio, como forma de produzir electricidade a bordo e, com ela, alimentar os motores eléctricos do veículo. Vantagens? Recarga mais rápida do hidrogénio face às baterias e um menor peso. Quanto aos custos, a diferença ainda não é evidente.

Antes de avançarmos para o Hyperion XP-1, assim se denomina o protótipo que em 2022 dará origem a um modelo de produção em série, é bom deixar claro que esta tecnologia das fuel cells nada tem a ver com as críticas dos técnicos especialistas em relação ao projecto do hidrogénio que o Governo quer implementar em Portugal. Não se trata aqui de armazenar a energia que os aerogeradores produzem durante a noite, quando ela não é necessária, produzindo hidrogénio para depois utilizá-lo para gerar electricidade durante o dia e os períodos de pico, mas sim locomover veículos eléctricos que pela sua potência ou capacidade de carga, como acontece nos veículos pesados, são mais rápidos de abastecer e mais leves se usarem fuel cells, em vez de grandes packs de baterias.

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O Hyperion começa por surpreender devido às suas formas arredondadas e aerodinâmicas, que fazem vagamente lembrar as do Bugatti Chiron, especialmente visto de frente. A carroçaria é fabricada em material compósito reforçado a titânio, pelo que é melhor ter cuidado com os toques. Apesar de se tratar de um veículo eléctrico, abundam as entradas e saídas de ar, com a marca a anunciar que até possui uma entrada de ar por vortex para refrigerar motores, fuel cells e baterias. Sim, porque todos os eléctricos a células de combustível continuam a utilizar pequenas baterias para lhes permitir funcionar até as fuel cells começarem a produzir.

O XP-1 é o primeiro veículo da Hyperion Motors, uma empresa criada há nove anos na Califórnia e que conta com 200 técnicos. Não são visíveis grandes preocupações com os custos, pelo que necessariamente se tratará de um modelo dispendioso. Não só o difusor traseiro é construído em kevlar, como as lâminas laterais são revestidas por pequenos painéis solares que, de acordo com o fabricante, têm a capacidade de se orientar pelo sol.

O XP-1 vai de 0-96 km/h em somente 2,2 segundos, sendo capaz de atingir uma velocidade máxima de 354 km/h. Mas a sua performance mais impressionante é a autonomia, uma vez que consegue percorrer 1609 km sem ter de reabastecer de hidrogénio. E, mesmo assim, esta operação não tarda mais de cinco minutos. Não menos importante é o facto de o Hyperion XP-1 anunciar um peso de apenas 1032 kg, um valor estranhamente baixo para um modelo que tem de ter pelo menos dois potentes motores eléctricos, uma bateria, uma gigantesca fuel cell e vários depósitos para hidrogénio.

Com a promessa que o Hyperion será comercializado por um preço competitivo face a modelos similares, potencialmente apontando aos 2 milhões de euros do Rimac C_Two, o XP-1 será integralmente fabricado nos EUA e limitado a 300 unidades, cujas entregas a clientes começarão algures durante 2022.