A presidente da Federação Portuguesa para a Deficiência Mental considerou esta sexta-feira inaceitável que o Governo não aumente o financiamento dos centros de recursos para a inclusão, deixando as crianças com necessidades especiais “ainda mais desprotegidas” durante a pandemia.

“É inaceitável que os Centros de Recursos para a Inclusão (CRIs) não vejam o seu financiamento aumentado nos últimos cinco anos”, lamenta Helena Albuquerque, líder da HUMANITAS — Federação Portuguesa para a Deficiência Mental, constituída por Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) que desenvolvem a sua ação no âmbito da habilitação e integração da Pessoa com Deficiência Intelectual.

A presidente da HUMANITAS lamenta ainda que o Ministério da Educação “não contribua sequer” para o financiamento do equipamento individual de proteção dos elementos dos CRIs que visitam diversas escolas durante o seu trabalho (máscaras e viseiras, luvas, fatos de proteção, desinfetante).

Temos sido aconselhados a recorrer às escolas para obter estes equipamentos, mas há muitos estabelecimentos que não têm meios financeiros para adquirir este material”, lamenta.

Os centros de recursos para a inclusão são estruturas de apoio que prestam serviços complementares aos oferecidos pelas escolas de ensino público para crianças e jovens entre os 6 e os 18 anos com necessidades educativas especiais.

Atuam de forma integrada com a comunidade no âmbito da resposta educativa e social aos alunos com necessidades educativas especiais de caráter Permanente, prestando apoio em áreas como psicologia, terapia da fala, terapia ocupacional ou fisioterapia.

Segundo Helena Albuquerque, o Ministério da Educação tem adiado o aumento do financiamento nos últimos cinco anos aos CRIs e nem a situação de emergência provocada pela pandemia de covid-19 alterou a situação.

Na prática, o financiamento tem vindo a diminuir, porque os salários aumentam e o apoio mantém-se na mesma”, resume a líder da HUMANITAS.

Helena Albuquerque pede ao Governo que aja rapidamente para evitar que cresçam ainda mais os problemas enfrentados pelas crianças e jovens e respetivas famílias, lembrando que em Portugal o período de escolaridade obrigatória vai até aos 18 anos.