Franco Morbidelli falou num Miguel Oliveira “intocável”, Jack Miller analisou um Miguel Oliveira “de outro nível”. Até os outros pilotos no pódio ficaram surpreendidos pela forma como o português dominou por completo este Grande Prémio de Portugal, chegando a ter uma vantagem de 4.5 segundos ao longo de uma corrida que acabou por ter pouca história. E a calma com que o número 88 descreveu depois esse triunfo acabou por explicar todo esse sucesso, não só na última corrida da temporada mas também num ano de afirmação como foi o de 2020.

Calculista, genial, perfeito: Miguel Oliveira faz (mais) história e conquista Grande Prémio de Portugal

“Foi um fim de semana perfeito, a começar pela pole position ontem [sábado]. O maior objetivo era concretizar isso na corrida, que conseguimos. A equipa está de parabéns. Deixo a Tech3 com um sorriso e uma vitória, o que me deixa muito orgulhoso. A partir de agora é desfrutar e continuar a trabalhar. Quero deixar também o meu obrigado a todos os que estão em casa, a todos os que não puderam vir ao Algarve prestar o apoio mas sei que todos deram desse lado a força necessária e acreditem que hoje era preciso toda a força para gerir todas as voltas da corrida”, começou por referir à SportTV, já devidamente restabelecido de todas as emoções em Portimão.

“Houve muitas alturas nesta época em que precisei muito mais da minha família do que é normal, o facto de não poderem vir às corridas custa. Tive de me adaptar. Tê-los aqui hoje deu-me uma força enorme, os meus adversários a seguir ao pódio diziam que não conseguiam explicar como é que tinha conseguido ser tão rápido e talvez seja isto. Esta época foi uma montanha russa de emoções mas acabou com um final feliz”, prosseguiu, após o primeiro triunfo em que contou com as pessoas mais próximas, o que não acontecera na Estíria.

“Foi muito especial ter o Guy [Coulon] no pódio, foi a última corrida dele como chefe dos mecânicos, para ele também foi muito especial. Deixo a Tech3 com alguma tristeza, durante estes dois anos formámos uma ligação humana muito boa e agora tenho de construir isso do outro lado da box mas acredito que tanto eu como o outro lado estamos preparados para mais vitórias”, concluiu o português nessa zona de entrevistas rápidas.

Antes, ainda assim, nem tudo foi tão calmo. E depois da celebração com todos os comissários e técnicos de pista a saudar o português, que já andava com a bandeira de Portugal ao ombro, a chegada ao parque fechado do circuito trouxe as emoções à flor da pele, com Miguel Oliveira (que aí já não tinha a tal bandeira que voara com o vento) a abraçar a família antes de baixar a cabeça e soltar as lágrimas que simbolizaram a alegria de um fim de semana perfeito onde ganhou tudo o que havia para ganhar. Recomposto, ainda abraçou Pir Beirer, foi “engolido” por Hervé Poncharal e subiu à moto para a primeira foto como vencedor, não com a língua de fora como na Estíria mas com o indicador bem levantado, antes de fazer algumas selfies e deixar as primeiras palavras.

“É surreal! Sonha-se com este tipo de corridas e conseguir é incrível, não há palavras. Tenho de agradecer a todos, aos fãs que não puderam esta aqui. É uma vitória para a Tech3, para a KTM e para a minha família que não tinha visto a minha primeira vitória no MotoGP mas que hoje está aqui. É muito bom acabar a época assim”, tinha resumido na primeira zona de entrevistas rápidas da transmissão internacional. Pouco depois, foi ao pódio, cantou o hino e abriu o champanhe que, como de costume, não provou – mas que deu a Guy Coulon.