Augusto Santos Silva está preocupado com o Orçamento do Estado para 2021 e não tem a certeza que o mesmo vá ser aprovado —  no primeiro dia de votações na especialidade do OE para 2021 o PS foi várias vezes contrariado. Em entrevista à TSF/Diário de Notícias, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros afirmou que “antes mesmo de pensar no que pode acontecer com o Orçamento para 2022”, está “preocupado com a aprovação do Orçamento para 2021”. Santos Silva disse ainda que a única certeza que tem é que o PS “vota a favor”.

Sobre a realização do Congresso do PCP, previsto acontecer de 27 a 29 de novembro em Loures, o ministro lembrou que há normas legais imperativas, as quais cabe ao PCP respeitar. “Em relação a episódios passados, a lógica do duplo padrão foi evidente”, afirmou ainda Santos Silva. “Houve mais exigência da parte de setores da opinião pública em relação ao PCP do que em relação à igreja católica e do que em relação, por exemplo, a partidos que organizaram congressos e convenções sem quaisquer preocupações de segurança e de respeito pelas normas sanitárias.”

Considerado agora o acordo que o Chega estabeleceu com o PSD para viabilizar governo nos Açores, Santos Silva diz contestar o acordo: “o que eu contesto é o acordo, não é que ele se tenha feito, é o tipo de acordo que se fez nos Açores e que significa que o PSD convidou o Chega para entrar no mandato”.

O ministro considera ainda que o PSD “ultrapassou uma linha vermelha” e que vai “arrepender-se” de ter aceitado o “Chega em sua casa”. “Ainda mais grave, o líder do PSD veio justificar essa aceitação dizendo que em alguns dos pontos que eu sublinhei atrás, afinal, está de acordo com o Chega. Ora, nós sabemos qual foi a génese do Chega. Portanto, tudo isto é muito preocupante”, acrescentou.

Ainda sobre as eleições presidenciais nos EUA, as quais deram a vitória ao democrata Joe Biden, Santos Silva reconhece que as dificuldades na transição de administração podem trazer danos “à credibilidade internacional do país e do modelo de democracia de que os EUA são, juntamente com muitos outros países, um expoente”. Ainda assim, o ministro garantiu que, do ponto de vista do relacionamento bilateral entre Portugal e os EUA, “a administração Trump não foi um retrocesso” e referiu “progressos”, nomeadamente sobre a questão da base das Lajes.