O impacto do novo coronavírus em Portugal mereceu destaque no Financial Times. A publicação abordou os efeitos da pandemia na economia do país, comparando-os aos da última crise. “O impacto económico da pandemia do novo coronavírus em Portugal faz reavivar memórias dolorosas da crise da dívida, quando elas estavam a começar a desaparecer”. É ainda referido que o país foi dos mais atingidos pela segunda vaga.

O jornal afirma que Portugal vivia, em março, um momento positivo em termos financeiros. “O desemprego estava em níveis mais baixos desde 2014. Registou-se um excedente no orçamento pela primeira vez em 45 anos”. Mas a pandemia veio colocar em questão o sucesso económico: “O choque imediato para a economia foi muito maior do que qualquer um entre 2009 e 2014”, lê-se no artigo.

Como resultado, o Financial Times aponta, segundo dados de economistas, que “mais de dois terços dos 36 mil empregos criados em Portugal nos últimos quatros anos podem desaparecer em 2020 e em 2021”. E o facto de o país depender do turismo para a criação de emprego é uma das justificações: “A dependência de Portugal no turismo […] fez o [país] mais vulnerável aos impactos económicos do novo coronavírus”.

A gestão da pandemia também é analisada pelo jornal. Apesar de Portugal ter recebido “elogios internacionais pela sua rápida resposta à primeira onda da pandemia”, o Financial Times destaca que o país tem sido “um dos países europeus que mais tem sido atingido pela segunda vaga e um dos mais lentos a diminuir a taxa de crescimento de novas infeções”.

O jornal recorda ainda que Portugal teve de “adiar cirurgias”, por ser dos países com menos camas destinadas aos cuidados intensivos — em número inferior à média europeia. Além disso, o Financial Times também salienta a emigração de enfermeiros que abandonaram o país no ano passado: “Num país onde o número de enfermeiros […] está abaixo da média da UE, um número recorde de 4.000 preencheram os papéis de emigração o ano passado”.

Já em relação à União Europeia, a opinião generalizada dos portugueses, nota o jornal, é positiva, contrariamente ao que do que aconteceu na crise passada. “Ao contrário dos anos da troika, muitos eleitores veem agora a União Europeia como fonte de socorro em vez de austeridade”. Portugal espera receber a ‘bazuca’ de quase 13 mil milhões de euros até 2026.