A polícia do Reino Unido está a entrar em rota de colisão com o poder executivo por se recusar a controlar a utilização de máscara em supermercados, decisão que surge num momento em que cada vez se exigem medidas de contenção da Covid-19 mais rígidas como a limitação de pessoas nos locais de trabalho.

Segundo o The Guardian, o governo britânico quer intensificar os esforços para manter o contacto entre pessoas em supermercados, por exemplo, o mais limitado possível (isto por culpa dos dados recolhidos que mostram uma elevada taxa de infeção em lojas). Em resposta a isto, essas superfícies comerciais afirmaram que para garantir a aplicação total de regras como o distanciamento social e a utilização de máscara precisariam da ajuda da polícia.

Contudo, segundo o mesmo jornal, a opinião generalizada entre as forças policiais é de que tal cenário é irrealista.  Uma fonte policial do Guardian afirma diretamente: “não faremos isso”, acrescentando que “não existem polícias extra” e que continua a haver “o resto dos crimes” que precisam de ser combatidos e controlados. É por isso, na opinião deste funcionário sénior das forças policiais britânicas, que são necessárias “mensagens mais claras e consistentes” e não “novas regras e mais fiscalização”.

Outra fonte da polícia acrescentou ainda que “o governo quer ver mais fiscalização” mas isso não se traduz necessariamente numa melhor regulação do comportamento. “Não há como ter 40.000 policias a fazer cumprir os regulamentos aplicados a 65 milhões de pessoas que não os querem seguir”, concluiu.

Este tema ganhou particular relevância depois de a cadeia de supermercados Morrisons anunciar esta passada segunda-feira que todos os clientes que se recusarem a usar máscara sem terem uma justificação médica serão convidados a abandonar a loja – e, em último caso, se o cliente se recusar a aceitar a regra, será chamada a polícia. A Sainsbury’s, outra grande cadeia de supermercados no Reino Unido, seguiu este exemplo de forma semelhante, afirmando que colocaria seguranças profissionais nas entradas das lojas, em vez de funcionários normais, a demover de entrar clientes que não usem máscara ou queiram fazer compras em grupo.

Matt Hancock, o secretário de saúde, afirmou também na segunda-feira, no briefing habitual feito a partir de Downing Street, que era preciso uma ação mais firme em relação à situação nos supermercados, (aproveitando a deixa para elogiar também a posição da Morissons). “É necessária uma fiscalização mais forte e estou muito satisfeito que a polícia esteja a intensificar o controlo. Mas não se trata apenas do governo e das regras que estabelecemos, ou da polícia e do trabalho que ela faz. Isto passa muito pela forma como como todos se comportam”, ressalva.

Tudo isto vai-se desenrolando num momento em que o Reino Unido continua a apresentar diariamente números preocupantes de mortes e novas infeções com Covid-19. Em resposta a isso, diz o The Guardian, o governo está a ponderar aconselhar o uso de máscara ao ar livre. Também está a ser discutida a proibição da prática de exercício físico ao ar livre em grupos de pessoas que não pertençam ao mesmo agregado familiar.

Sobre eventuais novas restrições, o mesmo Hancock afirmou: “Sei que tem havido especulação sobre mais restrições. Não descartamos a possibilidade de realizar mais ações, se necessário, mas são é o comportamento de cada pessoa que mais pode fazer a diferença”.