A apresentação da nova estratégia do Grupo Renault, que decorreu nesta quinta-feira, veio confirmar que o novo CEO do grupo, Luca de Meo, está empenhado em fazer renascer das cinzas a Alpine. O plano é de “choque”, pois confirma-se a intenção em converter a marca desportiva num fabricante de modelos 100% eléctricos.

Na calha está o lançamento de três novos modelos exclusivamente a bateria até 2025. Vem aí um compacto do segmento B e um crossover do segmento C, ambos baseados na plataforma Common Module Family – Electric Vehicles (CMF-EV) da Aliança, a arquitectura que foi estreada no Nissan Ariya e que também vai servir o futuro Renault Mégane. Porém, o A110, coupé de duas portas apresentado no Salão de Genebra de 2017, também está condenado a deixar de deitar fumo pelo escape. O único modelo que actualmente compõe a gama da Alpine, com direito a uma versão mais assanhada (A110S), vai desaparecer para ceder lugar a um desportivo a bateria, que será desenvolvido em conjunto com a Lotus. Aliás, soube-se que já foi assinado um protocolo de cooperação entre ambas as partes, em que “as equipas da Alpine e da Lotus comprometem-se a conduzir um abrangente estudo de viabilidade para as áreas de engenharia e concepção, para o desenvolvimento conjunto de um automóvel desportivo 100% eléctrico, aproveitando os recursos, o know-how e as instalações das respectivas marcas, em França e no Reino Unido”.

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Para catapultar a imagem da Alpine como o bastião da vanguarda tecnológica no Grupo Renault, a marca vai passar a ter sob a sua alçada a Renault Sport Cars (RSC) e a Renault Sport Racing (RSR). A RSC, berço de modelos como o Renault 5 Turbo, Clio V6, Mégane R.S. Trophy e o Alpine A110, é formada por uma equipa de 300 pessoas, enquanto a RSR e a escuderia F1 integram 1200 pessoas. O objectivo é projectar no fabricante francês o rótulo da inovação e da excelência técnica, o que passará por uma “imensa exposição mediática na Fórmula 1”.

Mas Luca de Meo não pretende só que a Alpine se afirme, num tempo recorde, como um fabricante de desportivos 100% eléctricos de elevada performance. O CEO do Grupo Renault quer que esse posicionamento no mercado se faça também com contas “certas”. Ficou definido que a meta é “atingir a rentabilidade até 2025” e é nesse sentido que os recursos do Grupo Renault e da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi vão ser utilizados “ao máximo” para reduzir custos.

“A nova entidade Alpine combina três marcas com activos e áreas de excelência distintas, em prol de uma empresa única e autónoma. O know-how da nossa fábrica de Dieppe e a excelência da engenharia das nossas equipas de F1 e da Renault Sport brilharão com a nossa gama 100% eléctrica e tecnológica, ancorando assim o nome ‘Alpine’ no futuro. Estaremos nas pistas e nas estradas, de forma autêntica, com a mais elevada tecnologia e seremos disruptivos e apaixonados”, prometeu o director-geral da marca, Laurent Rossi.