O Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE, na sigla em inglês) da Organização Mundial de Saúde (OMS) defendeu esta quarta-feira que a vacina AstraZeneca pode ser administrada a pessoas com mais de 65 anos. A posição foi transmitida em conferência de imprensa, no seguimento de uma reunião do grupo para analisar a eficácia da vacina, realizada na segunda-feira.

Vários países, incluindo Portugal, entenderam que a vacina não deveria ser administrada a pessoas com mais de 65 anos, por haver dúvidas sobre a eficácia nesse grupo etário, mas Alejandro Cravioto, presidente do SAGE, recomendou o uso abrangente a todas as idades, “mesmo que outras variantes estejam presentes”. Há, em todo o caso, exceções, por falta de informação, como mulheres grávidas.

“Reparámos que nos exames clínicos havia poucos participantes com mais de 65 anos mas, ainda assim, os resultados da estimativa de eficácia tinha um intervalo de confiança alto”, explicou Alejandro Cravioto. “Por isso sentimos que a resposta deste grupo não deve ser diferente de grupos de idade inferior”.

“Por termos identificado pessoas com mais de 65 como prioritárias, recomendamos que a vacina lhes seja dada”, conclui Alejandro Cravioto, líder do grupo de peritos que aconselham a OMS sobre o processo de vacinação.

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Além disso, “depois de uma longa análise dos dados científicos relativos à vacina da Astrazeneca”, o grupo de peritos recomenda que “esta vacina seja dada em duas doses, de meio mililitro cada, num intervalo de entre 8 a 12 semanas”. Até agora, tanto a vacina da Pfizer como da Moderna, requeriam um intervalo de 21 dias até à toma da segunda dose, espaço de tempo bem mais reduzido do que a da Astrazeneca. Isto significa que a vacina da Oxford/Astrazeneca pode ser administrada, numa primeira fase, de forma mais massiva, dando mais tempo para a produção e distribuição das segundas doses.

A OMS preferiu não esperar por mais dados de testes à vacina da AstraZeneca porque “há urgência para fazer recomendações já, no momento atual, quando as vacinas estão disponíveis, à mão, e prontas para serem administradas num número alargado de países”, disse Katherine O’Brien, diretora da OMS para as vacinas de imunização e produtos biológicos, na mesma conferência de imprensa. “Os países confiam nas nossas melhores recomendações para usar vacinas”.

Os resultados do teste americano à vacina da AstraZeneca, que terá um maior número de pessoas acima de 65 anos, só deverá chegar em princípio “a meio de março”.

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“Alguns países podem ter vários produtos [de vacina] à escolha e podem escolher usar diferentes produtos de formas diferentes”, diz a responsável da OMS, mas “não há razão nenhuma — em especial porque as pessoas com mais de 65 anos estão no grupo de maior risco de doença grave e morte — para que um produto que tem eficácia significativa não seja usado”.

Katherine O’Brien diz que a organização tem “forte confiança” nos dados dos testes já feitos, pelo que “não há razão para esperar que a eficácia seja substancialmente comprometida em pessoas mais velhas”. Além disso, há estimativas que permitem “confirmar que há eficácia significativa para quem tem mais de 65 anos”.