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As autoridades sanitárias de Gaza anunciaram que, apesar de os bombardeamentos de Israel não terem cessado, não houve vítimas mortais no enclave palestiniano na última noite. É a primeira vez que tal acontece desde que a violência começou a escalar no passado dia 10 de maio, segundo a Reuters.

Nas primeiras horas desta terça-feira, no entanto, as bombas lançadas pelas Forças de Defesa de Israel continuaram a cair na Faixa de Gaza, enquanto o Hamas lançou novos rockets contra território israelita, causando duas mortes. Os ataques continuam, apesar dos apelos da comunidade internacional para um cessar-fogo. Entre as vozes que nas últimas horas pediram o fim da violência, destaque para o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e para o primeiro-ministro português, António Costa.

Durante a noite, segundo a Al Jazeera, registaram-se dezenas de bombardeamentos israelitas contra o enclave palestiniano, com os ataques israelitas a continuarem ao início desta manhã, com várias explosões, e pelo menos dois edifícios a serem destruídos, em ataques perpetrados por mais de 60 aviões.. As Forças de Defesa de Israel garantem ainda que foram destruídos túneis utilizados pelo Hamas e que os ataques visaram infraestruturas usadas pelos militantes palestinianos, tendo sido atingidos 65 alvos com 110 mísseis.

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As autoridades israelitas garantem que já mataram mais de 150 militantes e comandantes do Hamas e da Jihad Islâmica, e que estes são os únicos alvos dos seus bombardeamentos. Contudo, as bombas lançadas por Israel, além de causarem a morte de civis, têm também atingido casas — levando a que pelo menos 52 mil pessoas tivessem de fugir — e destruído infraestruturas importantes, desde escolas a hospitais. De acordo com o Guardian, o único laboratório de testes à Covid-19 situado em Gaza foi destruído por ataques aéreos israelitas e danificaram o escritório da Cruz Vermelha do Qatar.

De acordo com o Times of Israel, verificou-se um intervalo de seis horas durante a última noite sem que fosse lançado qualquer rocket por parte do Hamas, num sinal de que um cessar-fogo pode estar iminente, apesar de ambos os lados não admitirem tal cenário. Após horas de relativa acalmia, ao início da manhã, as sirenes voltaram a soar em Israel, após fogo lançado por militantes palestinianos. Na sequência de ataques do grupo islamista, dois trabalhadores tailandeses morreram no sul de Israel, junto à fronteira com Gaza, após serem atingidos por estilhaços. Há ainda registo de mais de dez feridos.

Hidai Zilberman, porta-voz do Exército israelita, garante que os ataques vão continuar pelo menos nas próximas 24 horas. “As Forças de Defesa de Israel não estão a falar de um cessar-fogo. Estamos focados em disparar”, afirmou, citado pela Reuters. Já o ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, garantiu que as Forças de Defesa de Israel vão continuar a atacar Gaza e que ainda há “milhares de alvos para atacar”.

A última noite ficou também marcada por ataques de artilharia israelitas contra o Líbano, não existindo, para já, relato de vítimas em causa. Em causa, está o lançamento de três rockets de território libanês, que acabaram por não atingir Israel. Mas, como retaliação, as Forças de Defesa de Israel bombardearam os locais de onde partiram os ataques.

Cessar-fogo em Gaza pode estar iminente, mas “ambos querem lançar o último rocket ou a última bomba”

Esta terça-feira será também marcada por uma greve geral na Cisjordânia ocupada, convocada pela Autoridade Palestiniana, onde se realizaram protestos contra as autoridades israelitas. Várias dezenas de palestinianos ficaram feridos em confrontos com as forças de segurança israelitas.

Desde o início da escalada de violência, que entrou esta segunda-feira na sua semana consecutiva de intensos bombardeamentos, já morreram 212 palestinianos, incluindo 61 crianças, e dez israelitas, incluindo duas crianças. Teme-se, no entanto, que o número de vítimas possa ser superior, com as autoridades de Gaza a alertarem que muitas vítimas ainda podem estar debaixo de escombros.

Ao telefone com Netanyahu, Joe Biden expressa “apoio” a um cessar-fogo

Biden e Putin apelam a cessar-fogo

Sucedem-se os pedidos da comunidade internacional para que seja alcançado um cessar-fogo, mas os apelos não têm surtido efeito junto de Israel e do Hamas. Além disso, os Estados Unidos, principal aliado do Estado hebraico, bloquearam pela terceira vez uma resolução do Conselho de Segurança da ONU a pedir o fim da violência.

Esta posição, de acordo com os analistas, pode ser uma forma de Washington dar continuidade às negociações nos bastidores, enquanto dá tempo a Israel para destruir mais posições do Hamas. Na noite de segunda-feira, o Presidente Joe Biden voltou a falar com Benjamin Netanyahu ao telefone e defendeu um cessar-fogo.

Médio Oriente. Erdogan acusa Joe Biden de ter sangue nas mãos por apoiar Israel

Durante a conversa, segundo um comuncado emitido pela Casa Branca, Biden “encorajou Israel a fazer todos os esforços para garantir a proteção de civis inocentes”, reiterando, igualmente, que o Estado hebraico “tem o direito de se defender contra ataques indiscriminados de rockets“, garantindo que os Estados Unidos, juntamente com países como o Egito, estão a trabalhar no sentido de assegurar uma trégua.

Interna e externamente, a pressão aumenta sobre o Presidente Joe Biden, sobretudo depois de o Washington Post ter noticiado que os Estados Unidos aprovaram uma venda de armas a Israel no valor de 735 milhões de dólares (o acordo foi celebrado uma semana antes de começar a escalada de violência).

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou o seu homólogo norte-americano de e ter “as mãos ensanguentadas”, devido ao seu apoio a Israel.

Horas depois da conversa telefónica entre Biden e Netanyahu, o Presidente russo, Vladmir Putin, juntou-se às vozes que exigem um cessar-fogo na região. “Acreditamos que é imperativo que as ações violentas de ambos os lados parem e que seja procurada uma solução com base em resoluções relevantes do Conselho de Segurança e nos princípios reconhecidos pelo direito internacional”, apelou Putin, citado pela BBC.

Benjamin Netanyahu voltou a frisar na noite de segunda-feira que os ataques a Gaza vão continuar “enquanto for necessário”, enquanto o Hamas ameaçou atacar Tel Aviv caso as bombas israelitas não parem de cair no enclave. Alguns analistas acreditam, contudo, que o cessar-fogo pode estar iminente e fonte diplomática, sob anonimato, citada pelo Times of Israel, disse que a trégua está próxima e que deverá ocorrer “nos próximos dias dias”.

Costa exige que  Israel “pare imediamente com estes ataques”

Em visita a Paris, onde vai participar na Cimeira para o Financiamento das Economias Africanas, o primeiro-ministro português, António Costa, apelou a Israel para parar os bombardeamentos contra a Faixa de Gaza.

“É necessário que Israel pare imediatamente com estes ataques”, alerta António Costa

“É necessário que Israel pare imediatamente com estes ataques para se regressar a um ponto em que o caminho para a paz seja possível e não se agrave este caminho para o conflito”, afirmou Costa, defendendo que “mais do que o cessar-fogo, é necessária a criação de condições de convivência entre os povos e os estados”.

Chefes da diplomacia da UE debatem escalada de violência em Gaza

Esta posição de António Costa, que assume uma maior importância devido ao facto de Portugal assumir neste momento a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, surge momentos antes de os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia se reunirem de emergência, por videoconferência, para debater a “escalada em curso entre Israel e a Palestina e ao número inaceitável de vítimas civis”. O objetivo é “coordenar e discutir a maneira como a UE pode contribuir para pôr fim à violência atual”, contudo, devido às divergências entre os 27 Estados-membros, não há grande expectativa quanto a uma posição comum, sendo expectável que surja pelo menos um apelo para um cessar-fogo.

Antes da reunião (que começa às 13h00 em Portugal continental), o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, conversou com o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, sobre como “acabar com a violência em Israel e na Palestina”, de forma a “reduzir as tensões”.

“Além disso, também precisamos de iniciativas de longo prazo para quebrar as dinâmicos do conflito e reavivar a perspetiva de um futuro pacífico para todos”, escreveu Borell no Twitter.