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Esta segunda-feira marcou o fim das respostas aos Censos 2021. De acordo com um comunicado do Instituto Nacional de Estatística (INE) enviado às redações, “as respostas da população foram quase na sua totalidade digitais, 99,3% do total, sendo que a maior fatia foi efetuada diretamente pela população através da internet (87,6%), seguindo-se a resposta na aplicação móvel do recenseador (7,6%) e o preenchimento dos questionários nos ebalcão localizados nas Juntas de Freguesia (4,1%)”. Depois da polémica com a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), a entidade de estatística reitera na mesma nota que todos os dados foram armazenados em Portugal.

A resposta expressiva pela Internet permitiu que a operação decorresse com toda a qualidade, tranquilidade e segurança exigidas face ao contexto de saúde pública do país”, diz o INE.

Quanto a resultados provenientes desta operação de recolha de dados da população, que é feita de 10 em 10 anos, o INE afirma que “os primeiros resultados dos Censos 2021 serão apresentados até meados de agosto” e terão “um carácter preliminar”. Este ano, pela primeira vez, as respostas em papel desta operação foram residuais, “0,4% do total”. Em 2011, tinham sido 50%.

Ao todo, a operação Censos 2021 contou cerca de “15 mil participantes na recolha no terreno”. O INE destaca ainda a “ajuda das Secretarias Gerais dos Ministérios, escolas, instituições religiosas, Associação Nacional de Municípios Portugueses, Associação Nacional de Freguesias, organizações do setor social e empresas”. O instituto refere ainda que a operação “a DGS, PSP, GNR e os Núcleos de Planeamento e Intervenção Sem Abrigo, entre outras instituições”.

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Quem não respondeu aos censos até esta segunda-feira será contactado posteriormente. O INE afirma que “só em último caso, quando de recusa absoluta em responder aos Censos 2021”, é que “irá aplicar as coimas previstas na lei”.

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Numa “palavra final”, o INE fala ainda da confidencialidade dos dados dos Censos 2021 e sua proteção e segurança. “Os dados são armazenados no INE e exclusivamente utilizados para fins estatísticos, como sempre em todas as suas atividades, assegurando-se a sua confidencialidade e proteção”, diz este órgão.

O INE tem sempre de procurar as melhores soluções face a novos desafios regulatórios e tecnológicos nas áreas de proteção de dados e segurança de informação. É algo realizado em contínuo, em cooperação e tendo presente a importância da forma de comunicação com a sociedade”, diz o INE.

A CNPD, na semana passada, criticou o instituto no Parlamento por este ter contratado a empresa norte-americana Cloudflare. No final de abril, o INE suspendeu o contrato que tinha com esta entidade, que era responsável pela segurança do site utilizado para as respostas dos Censos 2021. Na altura, o INE justificou a decisão por ter sido “confrontado com informação que questiona a segurança do site”, que partiu da CNPD. A Cloudflare tem reiteradamente desmentido as alegações da CNPD.

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