Óculos de sol na cara, um protetor solar por perto caso seja preciso, o microfone numa mão e a outra mão livre, até porque convém poder apoiar-se caso o barco lhe pregue um susto. A figura podia ser a de um guia turístico, sobretudo quando anuncia coisas como “estamos agora a passar aqui em frente à Ribeira das Naus” ou se congratula por ver “os golfinhos a regressar ao Tejo”. Mas este guia é meio turístico, meio político, e remata assim: “Desculpem estar a falar tanto tempo, mas de facto é muito apaixonante ver o rio daqui. E a obra daqui”.

A “obra” de que Fernando Medina fala não é só dele: a bordo de um cargueiro típico do Tejo (chegou a haver milhares, só sobram oito) e em frente a uma plateia de “jotinhas” (e a Rui Tavares, sentado de chapéu de palha na fila da frente) vai, de microfone em riste, apontando a obra que os seus antecessores Jorge Sampaio e António Costa foram fazendo na zona ribeirinha.

Durante largos minutos, Medina demora-se debaixo do sol quente a explica a importância da “visão” em política e de como eles concretizaram a visão de “devolver o Tejo a Lisboa”, com o Terreiro do Paço — “era um estacionamento”, recorda –, a Ribeira das Naus (“era uma zona degradada; uma hora depois de a reabrirmos, as pessoas já estavam lá a sentar-se na relva”), as obras no terminal dos cruzeiros, na Doca da Marinha ou na estação Sul Sueste, de onde o barco partiu.

À medida que enumera a obra feita, Medina lembra pretextos para atacar sempre um inimigo comum: a direita, corporizada na candidatura de Carlos Moedas, que por sinal foi esta mesma tarde… dar um passeio de barco no Tejo, uma coincidência que provoca risos na comitiva socialista.

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