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É a primeira reação de Paulo Rangel aos resultados do PSD nestas eleições autárquicas. Depois de um curto tweet onde congratulou Carlos Moedas pela vitória em Lisboa (sem referências a Rui Rio), o eurodeputado aproveitou o espaço de opinião que mantém no jornal “Público” para pedir “uma análise fina e detalhada dos resultados eleitorais em todas as suas dimensões”, deixar um conjunto de linhas orientadoras que o partido deve seguir e para definir os seus próprios tempos: a provável candidatura, se chegar, chegará “a seu tempo”.

“Não é ainda o tempo da chamada clarificação interna nem do debate interno. Como bem disse o presidente do PSD, estamos ainda no perímetro do ciclo autárquico, das suas implicações e repercussões. A seu tempo, virá o ciclo eleitoral normal do PSD e, aí sim, cada militante será chamado a assumir as suas responsabilidades”, escreve Rangel.

De acordo com os estatutos do partido, o PSD terá de ter eleições internas algures até dezembro, sendo que o congresso não eletivo se realizará sempre em janeiro. Esta semana há uma reunião da direção de Rio para discutir os resultados eleitorais e para agendar o Conselho Nacional do PSD — órgão máximo entre congressos — algures na segunda quinzena de outubro.

Para já, sublinha o eurodeputado, o tempo do partido é outro. “Importa fazer, tão brevemente quanto possível, uma análise fina e detalhada dos resultados eleitorais em todas as suas dimensões. É o tempo de, estimulados pelo novo sinal político, estudar bem os números e a sua distribuição territorial, em ordem a fixar e potenciar os ganhos e a inverter e reduzir as perdas”, argumenta Rangel.

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A ideia de Rangel tem várias leituras possíveis: apesar da vitória surpreendente em Lisboa, e de conquistas importantes como Coimbra, Funchal, Barcelos e Portalegre, no final do dia, o saldo eleitoral — entre câmaras ganhas e câmaras perdidas — é de pouco mais de 15 autarquias, algumas delas de pequena dimensão. “Pés na terra“, chega a sugerir o social-democrata.

“O posicionamento estratégico e tático do PSD, a curto e a médio prazo, passa pela análise, pela digestão e pela compreensão destes resultados e das tendências que eles podem projetar. Este deve ser o debate que deve animar as semanas que aí vêm”, argumenta Rangel.

A terminar, o eurodeputado defende que o PSD deve assumir a dianteira no debate sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, deve “deixar de ter vergonha de assumir a criação de riqueza e de melhor emprego como prioridades e contraponto à gestão estatista do Governo”, “retomar a liderança da promoção do ambiente e da transição ecológica”, “apostar na valorização dos professores”, “debater como romper com a fratura artificial entre os funcionários públicos e os trabalhadores dos sectores privado e social”, assim como manter a bandeira da revisão da “política fiscal“.

“Tudo isto sem esquecer o tema do Estado de Direito, nas suas várias dimensões. A defesa dos direitos humanos contra as discriminações de todo o tipo (raça, género e outras). E claro, hoje mais importante do que nunca, o respeito pela independência judicial, pela liberdade de imprensa, pela separação dos poderes e pela capacidade de escrutinar os executivos”, argumenta Rangel.