Um hamburguer e duas batatas fritas, com a junção de um círculo e duas linhas. É assim que é descrito o novo logótipo da McDonald’s russa que vai abrir portas no domingo, dia em que se comemora a criação da Federação Russa em 1991. Há quem veja nesta junção de círculo e linhas uma tentativa de formar a letra “M”.

O nome da cadeia ainda não foi divulgado, embora tenha vindo a ser noticiado alguns. Mas, segundo a BBC, o jornal Izvestia vale na submissão de oito potenciais nomes à Rospatent, que é a agência governamental de propriedade intelectual. “Tot Samyi”, que significará “o mesmo”, e “Svobodnaya Kassa”, que significa caixa registadora disponível, serão alguns nomes em cima da mesa. O Guardian indica ainda que a RIA Novosti noticiou que a aplicação tinha sido renomeada “My Burger”, mas depois foi dito que se tratava de uma designação temporária, para dar cumprimento ao acordo de retirar o nome McDonald’s.

Deverão ser reabertas 15 unidades, de acordo com a agência de notícias Tass, citada pela BBC. A Tass cita a Sistema PBO, a firma que detinha anteriormente a gestão do negócio da McDonald’s. E é esta companhia que explica ainda que o verde do logótipo pretende “simbolizar a qualidade dos produtos e serviços que os nossos clientes estão acostumados”.

Outrora a abertura do McDonald’s na Rússia, em 1990, foi vista como um marco na abertura do país ao Ocidente, com o aproximar do fim da guerra fria e com a queda do Muro de Berlim que acontecera em 1989.

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A 31 de janeiro de 1990, uma fila — estima-se que tenham passado mais de 38 mil pessoas — dava a volta a múltiplos quarteirões perto da Praça Pushkin, no centro de Moscovo. Agora, com a guerra na Ucrânia a empresa anunciou a saída do país. E, mais tarde, comunicou a venda das unidades a um empresário russo, que já tinha alguns restaurantes da McDonald’s na Sibéria.

Cerca de 84% dos restaurantes da gigante de fast food no país eram detidos pela McDonald’s, enquanto os restantes eram franchises. Tinha cerca de 850 unidades na Rússia. As lojas na Rússia e na Ucrânia geravam cerca de 9% das suas receitas anuais.

Em maio anunciou a intenção de vender as suas unidades, depois de numa primeira fase ter comunicado apenas um encerramento temporário. Conseguiu entretanto chegar a acordo com Alexander Govor, que operava 25 unidades na Sibéria, para ficar com os restantes restaurantes e os trabalhadores (cerca de 62 mil pessoas), operando sob uma nova marca, um novo menu e tendo de retirar os elementos gráficos da McDonald’s.

A relação de Govor com a insígnia norte-americana começou em 2015. Govor é ainda co-fundador da Neftekhimservice, uma companhia de refinação petrolífera, e elemento do conselho de administração de outra companhia que detém o hotel Park Inn e um conjunto de clínicas na Sibéria.

Na altura de comunicar a venda, a McDonald’s não divulgou o valor do negócio, mas disse, segundo a BBC, que registaria uma imparidade com esta saída de mil milhões de dólares.

O acordo prevê que a McDonald’s mantenha o registo da marca na Rússia.