Há um ano, foram notícia as imagens violentas de cenas de tortura e relatos de violações na prisão russa de Saratov. As imagens, que se tornaram públicas através de uma organização ligada à defesa dos direitos humanos, motivaram até a demissão do diretor da rede prisional russa, Alexander Kalashnikov.
Putin demite diretor das prisões após divulgação de imagens de violações e tortura
Este ano, algumas vítimas relatam à BBC o que se passava no interior da prisão, denunciando que os abusos e a violência eram usados pelas autoridades prisionais para chantagear os reclusos, intimidá-los ou até para forçar confissões.
Uma das vítimas ouvidas, Alexei Makarov, contou à BBC que já sabia da fama desta prisão antes de ser transferido para lá, em 2018, para cumprir uma pena de seis anos. Uma vez que estava doente – tinha sido diagnosticado com tubercolose – este ex-prisioneiro esperava ser poupado à violência e abusos. No entanto, diz que enquanto cumpriu pena por assalto, foi violado duas vezes.
Conforme contou à televisão britânica, a primeira vez em que foi torturado foi em fevereiro de 2020. Na altura recusou-se a confessar uma narrativa em que estaria a conspirar contra a administração da prisão, tendo sido submetido a violência sexual contínua por três homens.
As descrições feitas por este ex-recluso são bastante gráficas, especificando que as violações aconteciam acompanhas de música com elevado volume para conseguir abafar os gritos. “Quando desmaiava, atiravam- com água fria e punham-me outra vez na mesa”, contou este ex-prisioneiro à BBC, ao relatar uma das violações.
A segunda violação aconteceu dois meses depois. Na altura, foi ainda coagido a pagar 50 mil rublos, o equivalente a cerca de 800 euros, para que o assunto ficasse em segredo na prisão. Makorov explicou que estes episódios de violência eram gravados, para que fossem vistos mais tarde por toda a prisão caso os reclusoss não cumprissem com as exigências dos atacantes.
As violações eram levadas a cabo por outros reclusos que, segundo as vítimas ouvidas pela BBC, estariam a agir de acordo com as instruções dos responsáveis da prisão.
Anton Romashov, de 22 anos, terá sido outra das vítimas desta prisão. De acordo com a advogada Yulia Chvanova, que representa este ex-prisioneiro, o jovem terá sido torturado em 2017, após ter recusado confessar um crime que não cometeu. Romashov foi preso por posse de marijuana, mas a polícia queria que confessava um delito mais gravoso, o de tráfico de droga.