Há mais cinco restaurantes (o mesmo número que na edição passada) com estrelas Michelin em Portugal: o Encanto (José Avillez) — o primeiro vegetariano da Península Ibérica incluído no Guia —, o Kabuki Lisboa (Paulo Alves) e o Kanazawa (Paulo Morais), em Lisboa; o Euskalduna Studio (Vasco Coelho Santos) e o Le Monument (Julien Montbabut) no Porto. Há também mais um restaurante com uma estrela verde, que reflete o compromisso com uma gastronomia mais sustentável: o Mesa de Lemos, em Passos de Silgueiros, Viseu, que, com o chef Diogo Rocha ao leme, tem desde 2019, uma estrela Michelin.

No total, existem já em Portugal três projetos gastronómicos com estrelas verdes — dois deles chegaram, pela primeira vez, ao país na edição passada. Além do Mesa de Lemos, foi distinguido em 2021, na seleção para 2022, o Esporão (uma estrela Michelin), na herdade com o mesmo nome, em Reguengos de Monsaraz, e o Il Galllo d’Oro (duas estrelas Michelin), no Funchal, do chef Benoît Sinthon. Em Espanha, o carimbo verde chegou a 13 novos espaços.

“Será pior comer uma vitela de Lafões ou uma laranja que vem da África do Sul?”. Chef Diogo Rocha conquista estrela verde Michelin

Uma das grandes novidades é referente ao futuro: a edição Guia Michelin de 2024 será apresentada em dois eventos separados, um em Espanha, e outro, pela primeira vez, em Portugal. A decisão, anunciada esta terça-feira, 22 de novembro, na cerimónia em Toledo, pretende “celebrar e valorizar a crescente excelência da cena gastronómica portuguesa”, explica o Guia, destacando o “verdadeiro dinamismo culinário” português.

Tal como na edição anterior, nenhum restaurante teve direito ao tão esperado segundo astro — depois de alguma especulação, a terceira estrela também não aterrou em terras lusas. Mas os restaurantes já distinguidos puderam manter o estatuto, não houve estrelas perdidas. Contas feitas, é mais uma gala com saldo positivo: há agora um total de 31 projetos gastronómicos com uma estrela Michelin em Portugal, mantendo-se os mesmos sete com duas.

“O desafio é não pensar ‘Agora comia um bitoque’”. Encanto, o novo restaurante 100% vegetariano de José Avillez

O Guia Michelin Espanha & Portugal foi apresentado esta terça-feira, 22 de novembro, no Palacio de Congresos el Grego, na cidade espanhola de Toledo. Em Espanha, houve dois projetos distinguidos com três estrelas Michelin (Cocina Hermanos Torres, em Barcelona, e o Atrio, em Cáceres) e três com duas estrelas (Deessa, em Madrid, o Pepe Vieira, em Serpe, e o El Rincón de Juan Carlos, em Tenerife). Ao todo, 34 restaurantes ganharam uma estrela Michelin (29 em Espanha, cinco em Portugal), 14 ganharam uma estrela verde Michelin (13 em Espanha, um em Portugal), e 38 receberam um bib gourmand (31 em Espanha, sete em Portugal).

A seleção de 2023 reúne 1401 restaurantes de Espanha, Portugal e de Andorra, contabilizando-se agora 13 espaços com três estrelas Michelin, 41 com duas estrelas, 235 com uma estrela. 281 contam já com o Bib Gourmand, que seleciona espaços pela da boa relação qualidade/preço (deixamos-lhe os projetos portugueses vencedores este ano mais abaixo).

5 estrelas portuguesas: um restaurante vegetariano, dois japoneses, um francês e um português

Uma estreia para a cozinha de base vegetal em Portugal, com grande destaque também para a gastronomia japonesa. Está a ser um bom ano para o chef José Avillez: detentor já de duas estrelas no Belcanto (um dos sete projetos gastronómicos nacionais duplamente carimbados pelo guia), foi distinguido em junho na gala de estreia das estrelas Michelin no Médio Oriente, onde a sua Tasca, no Dubai, capturou o tão desejado astro. Agora, é a vez do seu Encanto, projeto com um menu inteiramente vegetariano, de portas abertas desde 17 de março, há apenas oito meses, e que tem como chef residente João Diogo Formiga. O chef português conquista outro marco importante, ao ser o primeiro restaurante vegetariano a integrar o guia da Península Ibérica.

Novo retaurante do chefe José Avillez - Encanto - no Chiado. 17 de Março de 2022 Chiado, Lisboa TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

No Encanto de José Avillez © TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

A cozinha nipónica também foi especialmente valorizada, com as distinções do Kanazawa, comandado pelo chef Paulo Morais, que há mais de 30 anos trabalha com a cozinha nipónica, e do Kabuki, primeiro restaurante do grupo espanhol com o mesmo nome aberto fora de Espanha, inicialmente comandado pelo espanhol Andrés Pareda, agora com o chef Paulo Alves. Chegou no início do ano ao primeiro piso das galerias do Ritz Four Seasons, hotel de luxo de Lisboa que na edição passada da gala Michelin viu distinguido o projeto Cura, do chef Pedro Pena Bastos.

Os sabores nipónicos em evidência no Kanazawa

A norte, foi a vez de o chef Vasco Coelho Santos brilhar com o Euskalduna Studio, o seu primeiro projeto de cozinha de autor, aberto desde 2016, e integrado na lista dos melhores restaurantes da Europa, no guia de 2022 do OAD — Opinionated Abour Dining. No Le Monument, inserido no hotel Le Monument Palace, no centro do Porto, o chef francês Julien Montbabut volta a brilhar com uma estrela, depois de ter sido já distinguido pelo projeto Le Restaurant, em Paris.

Gnocchi, curgete e queijo da ilha de S. Jorge, nos Açores, para saborear no Le Monument.

Nos resultados da seleção de 2023, o Guia voltou a concentrar as atenções nas duas maiores cidades do país, contrariando a tendência da edição anterior, que deu atenção a outras regiões portuguesas. Recorde-se que na seleção para 2022 foram cinco os projetos que, de norte a sul do país, foram premiados com uma estrela: o Al Sud (chef Louis Anjos), em Lagos, A Ver Tavira (chef Luís Brito), em Tavira, Cura (chef Pedro Pena Bastos), em Lisboa, Esporão (chef Carlos Teixeira), em Reguengos de Monsaraz, e Vila Foz (chef Arnaldo Azevedo), no Porto.

Do Carnal ao Zunzum Gastrobar, sete novos Bib Gourmand

No campeonato Bib Gourmand, em que o guia destaca restaurantes pela boa refeição a um preço razoável (menu completo por não mais do que 35 euros), há 38 novos espaços, sete deles em Portugal.

Em Lisboa, o Carnal, gastrobar mexicano de Ljubomir Stanisic (cujo projeto 100 Maneiras tem uma estrela Michelin), comandado pelos seus chefs; o Ofício, “tasco atípico” da Rua Nova da Trindade, que tem à frente o chef criativo Hugo Candeias e o chef executivo Rodolfo Lavrador; e o Zunzum Gastrobar, projeto da chef Marlene Vieira dedicado aos sabores portugueses, com técnicas contemporâneas, no Terminal dos Cruzeiros de Lisboa. No Algarve, destaque para o À Mesa, em Tavira, com o chef João Dias ao leme.

No Porto, a distinção dos espaços com melhor relação qualidade/preço chegou ao Gruta, projeto de 2021 incluído na lista dos 24 “Best New Restaurants in the World” na edição internacional da Time Out daquele ano, que tem aos comandos da cozinha a chef Rafaela Louzada; Vasco Coelho Santos volta a brilhar nesta categoria, depois da mudança de casa do seu Semea by Euskalduna, projeto mais informal, assente no conceito de partilha, que da Rua das Flores passou para o Cais das Pedras, no Porto. Em Vila do Conde, os inspetores consideraram que o fine dining Rio by Paulo André é um dos que merece estar na lista de uma refeição por um preço razoável.

Os prémios Cozinheiro Jovem e Cozinheiro Mentor, atribuídos pela primeira vez na edição passada, e o Prémio Serviço de Sala Michelin 2023, que se estreia este ano, couberam a Espanha: a Cristóbal Muñoz, do Ambivium, em Peñafiel, a Joan Roca, do El Celler de Can Roca, em Girona, e a Toni Gerez, do Castell Peralada, em Peralada, respetivamente.

Lista dos restaurantes premiados (* indica novidade em relação ao ano passado):

1 estrela

  • Encanto (Lisboa, chef José Avillez e João Diogo Formiga)*
  • Euskalduna Studio (Porto, chef Vasco Coelho Santos)*
  • Kanazawa (Lisboa, chef Paulo Morais)*
  • Kabuki (Lisboa, chef Paulo Alves)*
  • Le Monument (Porto, chef Julien Montbabut)*
  • Al Sud (Lagos, chef Louis Anjos)
  • A Ver Tavira (Tavira, chef Luís Brito)
  • Cura (Lisboa, chef Pedro Pena Bastos)
  • Esporão (Reguengos de Monsaraz, chef Carlos Teixeira)
  • Vila Foz (Porto, chef Arnaldo Azevedo)
  • 100 Maneiras (Lisboa, chef Ljubomir Stanisic)
  • Eneko Lisboa (Lisboa, chef Eneko Atxa)
  • Mesa de Lemos (Viseu, chef Diogo Rocha)
  • Epur (Lisboa, chef Vincent Farges)
  • Vistas (V.N. de Cacela, chef Rui Silvestre)
  • Fifty Seconds by Martín Berasategui (Lisboa, chef Filipe Carvalho)
  • Midori (Sintra, chef Pedro Almeida)
  • G Pousada (Bragança, chef Óscar Gonçalves)
  • A Cozinha (Guimarães, chef António Loureiro)
  • Antiqvvm (Porto, chef Vítor Matos)
  • Bon Bon (Carvoeiro, chef José Lopes)
  • Eleven (Lisboa, chef Joachim Koerper)
  • Feitoria (Lisboa, chef André Cruz)
  • Fortaleza do Guincho (Cascais, chef Gil Fernandes)
  • LAB by Sergi Arola (Sintra, chef Sergi Arola)
  • Largo do Paço (Amarante, chef Tiago Bonito)
  • Loco (Lisboa, chef Alexandre Silva)
  • Pedro Lemos (Porto, chef Pedro Lemos)
  • William (Funchal, chef Luís Pestana)
  • Vista (Portimão, chef João Oliveira)
  • Gusto (Almancil, chef Heinz Beck)

2 estrelas

  • Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira, chef Rui Paula)
  • Alma (Lisboa, chef Henrique Sá Pessoa)
  • Belcanto (Lisboa, chef José Avillez)
  • Il Gallo d’Oro (Funchal, chef Benoît Sinthon)
  • Ocean (Alporchinhos, chef Hans Neuner)
  • The Yeatman (Vila Nova de Gaia, chef Ricardo Costa)
  • Vila Joya (Albufeira, chef Dieter Koschina)

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