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Pelo menos 23 pessoas morreram esta sexta-feira num ataque russo com mais de 20 mísseis de cruzeiro que atingiram um edifício residencial no centro da Ucrânia, segundo um novo balanço das autoridades ucranianas.
Trata-se do mais mortífero ataque entre os vários que se abateram durante a madrugada no país. Entre estes, registou-se o primeiro bombardeamento com mísseis contra Kiev em quase dois meses, apesar de não haver relatos de ter atingido qualquer alvo.
A câmara municipal da capital ucraniana indicou que a Força Aérea do país intercetou 11 mísseis de cruzeiro e dois veículos aéreos não-tripulados sobre Kiev.
O bombardeamento ao edifício de apartamentos de nove andares no centro da Ucrânia ocorreu em Uman, uma cidade situada a cerca de 215 quilómetros a sul de Kiev.
Entre os civis mortos nesse ataque estão quatro crianças, de acordo com relatos do Kyiv Independent, que cita fontes dos serviços de emergência ucranianos
Outra vítima mortal foi uma mulher de 75 anos que vivia num prédio vizinho e morreu de hemorragia interna causada pela onda de choque da explosão, segundo as equipas de emergência no local.
A polícia nacional ucraniana indicou que 17 pessoas ficaram feridas e três crianças foram resgatadas com vida dos escombros. Nove pessoas foram hospitalizadas.
Esse bombardeamento ocorreu num local muito distante das extensas linhas de frente do conflito ou de zonas de intensos combates no leste da Ucrânia, onde se trava uma dura guerra de desgaste.
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Noutro ataque, na cidade oriental de Dnipro, foram mortas uma mulher de 31 anos e a sua filha de dois anos, indicou o governador regional, Serhii Lysak. Quatro pessoas ficaram feridas e uma residência particular e uma empresa sofreram danos.
Moscovo tem frequentemente lançado ataques com mísseis de longo alcance ao longo dos 14 meses de guerra na Ucrânia, muitas vezes atingindo indiscriminadamente áreas civis.
As autoridades ucranianas e analistas têm alegado que tais ataques são parte de uma estratégia deliberada de intimidação do Kremlin.
O Ministério da Defesa russo declarou que os mísseis de cruzeiro de longo alcance lançados do ar durante a madrugada desta sexta-feira tinham como alvos instalações onde se encontravam alojadas unidades militares ucranianas de reserva antes de serem enviadas para o campo de batalha.
“O ataque cumpriu o seu objetivo. Todos os alvos definidos foram atingidos. O avanço das unidades de reserva inimigas para as zonas de combate foi detido”, afirmou o porta-voz do ministério, o tenente-general Igor Konashenkov, não fazendo qualquer referência a zonas ou edifícios residenciais bombardeados.
O ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, sustentou que o bombardeamento russo desta madrugada mostra que o Kremlin não está interessado num acordo de paz.
“Ataques com mísseis que matam ucranianos inocentes durante o sono, incluindo uma criança de dois anos, é a resposta da Rússia a todas as iniciativas de paz”, escreveu Kuleba na rede social Twitter, acrescentando: “O caminho para a paz é expulsar a Rússia da Ucrânia”.
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