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A presidência russa considerou esta sexta-feira “inadmissíveis” as declarações dos líderes ocidentais, que responsabilizaram diretamente o Kremlin pela morte na prisão do líder da oposição ao regime de Putin. Em Portugal, a Embaixada russa lamentou as “sentenças condenatórias” à Rússia sobre a morte de Alexei Navalny.

“Não há declarações de médicos nem informações de serviços forenses e penitenciários. Ou seja, não há informações. E encontramos tais declarações”, afirmou Dmitri Peskov, porta-voz presidencial, citado por agências russas.

Peskov lamentou tais afirmações, indicando que são “obviamente, declarações absolutamente furiosas e inadmissíveis”.

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O porta-voz do Kremlin acrescentou que já tinha informado o Presidente russo, Vladimir Putin, sobre a morte repentina do opositor e referiu que os serviços penitenciários não precisam de receber quaisquer ordens em relação às investigações necessárias para esclarecer o sucedido.

Anteriormente, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia ironizou sobre a morte do opositor russo: “A reação imediata dos líderes da NATO à morte de Navalny, sob a forma de acusações diretas contra a Rússia”, expõe, segundo a porta-voz, que as conclusões do Ocidente já estão “prontas” — e servirão apenas para apontar o dedo à Rússia.

O ministério instou também os Estados Unidos a não fazerem acusações infundadas na atribuição de responsabilidades pela morte de Navalny até que os resultados da autópsia sejam conhecidos.

“A morte de uma pessoa é sempre uma tragédia (…). Em vez de acusações gratuitas, deveriam mostrar moderação e aguardar os resultados oficiais da autópsia”, afirmou a diplomacia de Moscovo num comunicado.

A vice-Presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, afirmou esta sexta-feira que, a confirmar-se, a Rússia é “responsável” pela morte de Navalny, o que na sua opinião seria mais um sinal da “brutalidade” de Putin.

Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, declarou que, “durante mais de uma década, o Governo russo de Putin, perseguiu, envenenou e prendeu Navalny, e agora a sua morte é noticiada”.

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Se as notícias forem precisas, acrescentou Blinken, “a sua morte numa prisão russa e a fixação e o medo de um homem apenas sublinham a fraqueza e a podridão no coração do sistema que Putin construiu”.

Já na Rússia, o presidente da câmara baixa do Parlamento, a Duma, culpa o Ocidente pela morte de Navalny e afirma que a NATO, os Estados Unidos, a Alemanha e a Ucrânia são “os autores da morte de Navalny”.

“Washington e Bruxelas são os culpados pela morte de Navalny”, disse Vyacheslav Volodin em comunicado. “Eles, que tomaram um grande número de decisões fracassadas e estão agarrados aos seus empregos, beneficiam com a morte [de Navalny]”, sublinha Volodin, citado pela Sky News.

Embaixada russa em Portugal lamenta “sentenças condenatórias” sobre morte de Navalny

O embaixador russo em Lisboa, Mikhail Kamynin, escreveu esta sexta-feira um comentário nas redes sociais a criticar as “sentenças condenatórias” contra o Estado russo sobre a morte de Alexei Navalny, o opositor russo. “Não vale a pena politizar a morte de uma pessoa.”

“Antes de informação completa sobre as circunstâncias da morte de Aleksei Navalny aparecer, o espaço mediático local encheu-se de sentenças condenatórias contra o nosso Estado”, lamentou o embaixador.

O diplomata fala numa “cobertura tendenciosa” dos meios de comunicação sociais portugueses, que está em “plena sintonia com a retórica hostil” dos meios de comunicação portugueses que “durante os últimos dois anos têm impingido ativamente uma imagem ‘demoníaca’ da Rússia”.

Para o embaixador, estas notícias servem “totalmente aos interesses das elites políticas do Ocidente, cuja narrativa antirrusa militarista dos últimos meses tanto necessita de apoio públicos”.

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Mikhail Kamynin fala mesmo em “bombas mediáticas” como as notícias sobre a morte de Alexei Navalyn, que “visam” garantir que essa narrativa vinga.

“Por minha vez, assinalo que gostaríamos de observar tal agilidade do Ocidente no processo da investigação às explosões nos gasodutos ‘Nord Stream” e “Nord Stream 2”, que, a propósito, tem se prolongado quase um ano e meio, enquanto em alguns Estados, como por exemplo na Suécia, já até foi concluído sem qualquer resultado”, acusa o embaixador.