O que poderia levar a Rússia a usar uma bomba nuclear tática? Documentos militares que foram noticiados pelo Financial Times (FT), esta quarta-feira, mostram aqueles que seriam os “critérios mínimos” que teriam de ser cumpridos para que essa decisão pudesse ser tomada pelo Kremlin.
Trata-se de 29 ficheiros militares russos, com datas entre 2008 e 2014, que mostram qual é a fasquia “que é mais baixa do que a Rússia alguma vez admitiu publicamente, de acordo com especialistas que analisaram e verificaram os documentos”, escreve o FT.
Em concreto, os critérios vão “desde uma incursão inimiga em território russo até acontecimentos mais específicos, como a destruição de 20% dos submarinos estratégicos de mísseis balísticos da Rússia”, acrescenta o jornal.
Em causa estão as armas nucleares táticas da Rússia, que são concebidas para uso no campo de batalha na Europa e na Ásia e têm um alcance mais limitado do que as armas nucleares estratégicas (que poderiam atingir os EUA).
A destruição de três ou mais navios de guerra, três campos de aviação, 30% dos submarinos de ataque com propulsão nuclear ou um “ataque simultâneo aos centros de comando costeiros principais e de reserva” também são especificados como condições potenciais para uma resposta nuclear russa.
Os documentos divulgados pelo FT, que não revela como os obteve, também indicam uma desconfiança em relação à China, apesar de hoje em dia haver uma perceção de que Moscovo e Pequim estão cada vez mais próximos. Os documentos indicam que a divisão militar oriental da Rússia conduziu exercícios para simular a resposta e um hipotético ataque da China.
A informação remonta a 2014, ou mesmo antes. Mas os documentos sinalizam que Moscovo receia que Pequim possa aproveitar o foco militar (russo) no Ocidente e, nesse contexto, lançar um ataque através da fronteira para ganhar território no Extremo Oriente da Rússia.
O jornal britânico destaca que a Rússia continua a realizar exercícios militares perto da China, tendo feito exercícios em junho e novembro de 2023 em regiões fronteiriças com a China. Nesses exercícios também terá sido simulada a utilização de mísseis com capacidade nuclear.
Porém, citado pelo FT, William Alberque, diretor de estratégia, tecnologia e controle de armas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, hoje a Rússia provavelmente terá uma fasquia mais elevada para usar armas nucleares táticas contra a Ucrânia, porque isso provavelmente “faria o conflito subir de tom e levaria a uma intervenção direta dos EUA ou do Reino Unido.”